PIB do agronegócio puxa economia goiana e chega a 40%
Levantamento do IMB mostra que a produção primária cresceu quase 56% na última década
Um levantamento divulgado pelo Instituto Mauro Borges de Pesquisa e Política Econômica (IMB) traça um panorama do setor entre os anos de 2012 e 2023. Os dados revelam um salto nas atividades primárias ao mesmo tempo em que evidenciam a perda de espaço relativo da agroindústria e dos serviços logísticos na composição da riqueza gerada pelo setor.
O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio goiano alcançou a marca histórica de R$ 135,6 bilhões em 2023, o que corresponde a 40,3% de toda a economia estadual, enquanto no Brasil o agronegócio representa 23,3% do PIB.
Em valores nominais, a riqueza gerada saltou de R$ 51,4 bilhões em 2012 para o patamar atual. Ao descontar a inflação, o setor acumulou um crescimento real de 20,5% nesse período, um índice que supera significativamente o avanço de 14,6% registrado pela economia do Estado como um todo.
Um dos propulsores desse crescimento contínuo foi a agropecuária, considerada o núcleo produtivo da cadeia. A atividade direta de cultivo agrícola e de criação de animais respondeu pela maior parcela individual do valor adicionado do setor, totalizando R$ 50,8 bilhões, ou 41,1% do total.
O trabalho no campo registrou um impressionante crescimento real acumulado de 55,9% em pouco mais de dez anos de análise. Mais do que isso, a agropecuária foi o único segmento que conseguiu ampliar de forma isolada a sua fatia de participação dentro do próprio agronegócio, saltando de 30,6% em 2012 para os atuais 41,1%.
No entanto, o sucesso acelerado das lavouras e pastagens mostra gargalos que travam o desenvolvimento das demais pontas da cadeia. O boletim do IMB demonstra que a riqueza gerada na última década ficou cada vez mais concentrada na venda de matéria-prima, enquanto a agregação de valor perdeu ritmo.
A agroindústria, responsável por transformar os bens agropecuários, totalizou R$ 20,8 bilhões em valor adicionado em 2023. Apesar do crescimento nominal, o segmento viu sua participação na estrutura do agronegócio encolher cerca de 2%, caindo de 18,8% para 16,8%. O desempenho foi ainda mais prejudicado no último ano da série histórica, quando a agroindústria estadual registrou retração de 6,6% em seu volume.
Cenário semelhante é observado nos agrosserviços, que englobam o transporte, o processamento, o armazenamento e a comercialização da safra. Embora tenham somado R$ 47,4 bilhões e acumulado crescimento real de 11,1% na década, os serviços perderam 4,7 pontos percentuais de espaço na cadeia produtiva, caindo de 43,0% para 38,3%. Os números indicam que a infraestrutura logística e comercial não conseguiu acompanhar a mesma velocidade da expansão das lavouras.
Resultados negativos nos insumos
Com apenas 3,7% do valor adicionado total, o setor produtor de insumos acumulou resultados negativos recentes, com um recuo de 14,5% em 2022 e uma nova queda de 13,1% em 2023. Diante desse cenário, o Estado de Goiás mantém uma dependência da compra de insumos importados para manter o ritmo de sua agricultura.
Para o diretor técnico do IMB, Erik Figueiredo, a publicação do estudo é o primeiro passo para corrigir essas assimetrias estruturais. “Com esse boletim, ampliamos o olhar sobre o agronegócio goiano, acompanhando desde a produção agrícola e pecuária até a indústria e os serviços ligados a ele. A análise mostra como esses segmentos evoluem e contribuem para a economia estadual, oferecendo uma base de informações para orientar o planejamento e as políticas públicas”, afirma o diretor.
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