Senado pode votar fim da escala 6×1 em dois turnos nesta quarta-feira (14)
Mudança na estratégia do PL aumenta a possibilidade de avanço da proposta, enquanto governo articula votação consecutiva para acelerar a tramitação
A proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 pode avançar nesta quarta-feira (14) no Senado Federal. A articulação para votar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) em duas etapas no mesmo dia ganhou força após a oposição rever sua estratégia e o governo buscar uma alternativa para reduzir o intervalo entre as votações.
Pelas regras da Casa, uma PEC precisa ser aprovada em dois turnos, com pelo menos 49 votos favoráveis em cada etapa. O regimento também prevê três sessões de discussão entre as votações. Para tentar concluir a análise ainda nesta quarta, a liderança do governo apresentou um requerimento para estabelecer um calendário especial, que precisa ser aprovado pelo plenário.
A mudança no posicionamento de integrantes do PL alterou o cenário político em torno da proposta. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou que votará a favor do texto, embora mantenha críticas ao conteúdo e atribua ao governo a responsabilidade pelos possíveis efeitos econômicos da medida. A nova posição contrasta com a estratégia anterior de setores da oposição, que buscavam adiar a votação para depois do segundo turno das eleições.
Nos bastidores, a avaliação de integrantes do partido é que votar contra a redução da jornada poderia gerar desgaste eleitoral, diante do apoio popular ao fim da escala 6×1. Parte dos senadores também considera que a proposta tem votos suficientes para ser aprovada e defende que a bancada tenha liberdade de posicionamento.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva relacionou a mudança de postura da oposição à mobilização popular em torno do tema. O debate sobre a jornada de trabalho se tornou uma das pautas de maior visibilidade no período eleitoral, com manifestações e pressão de grupos favoráveis à redução da carga semanal.
A oposição, por sua vez, vinha defendendo uma alternativa que prevê o pagamento por hora trabalhada, em vez da redução obrigatória da jornada, com possibilidade de diminuição proporcional dos salários. A proposta é associada ao senador Rogério Marinho (PL-RN), que argumenta em favor de maior flexibilidade nas relações de trabalho.
Caso o requerimento para encurtar o intervalo seja aprovado e a PEC receba os votos necessários nos dois turnos, o Senado poderá concluir a votação nesta quarta-feira. Sem a mudança no calendário, a etapa final ficaria para depois do segundo turno das eleições.
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