terça-feira, 20 de outubro de 2026
Liberdade

Por que os ataques a jornalistas no governo Bolsonaro são um problema?

De acordo com pesquisa realizada pela organização Repórteres Sem Fronteira, em dois anos, o Brasil perdeu seis posições no ranking de liberdade de imprensa.

Victoria Lacerdapor em
Por que os ataques a jornalistas no governo Bolsonaro são um problema?
De acordo com pesquisa realizada pela organização Repórteres Sem Fronteira

Durante todos os anos desde 2002, a organização não governamental internacional Repórteres sem Fronteiras publica o Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa, listando aproximadamente 180 países por meio de um questionário preenchido por especialistas da área. Na Classificação Mundial da Liberdade de Imprensa de 2021, o Brasil ficou na 111º posição, caindo 4 posições em relação ao ano anterior, em que ficou em 107º. De acordo com o levantamento dos Repórteres Sem Fronteira deste ano, eles conseguiram identificar 11 jornalistas assassinados até então e 324 jornalistas presos. Analisando o relatório do ano de 2020, o número de assassinatos desses profissionais chegou a 49. 

No ranking divulgado é possível analisar a situação da imprensa em cinco cores diferentes, todas elas fazendo a relação da liberdade de imprensa nos países participantes. As cores são branca (muito boa), amarela (boa), laranja (problemática), vermelha (difícil) e preta (muito grave). O Brasil entrou na zona vermelha do ranking, ou seja, para a organização a situação da imprensa no país é extremamente difícil e complicada, principalmente depois da pandemia do novo coronavírus, onde o atual presidente dissemina fake news, acusa e insulta a imprensa por ser responsável pelo “caos no país”. 

Por que os ataques a jornalistas no governo Bolsonaro são um problema?
Mapa do Ranking de Liberdade de Imprensa mostra que o Brasil ficou em zona vermelha da classificação — Foto: Reprodução

Pelo quinto ano consecutivo, a Noruega é considerada o país onde há mais liberdade de imprensa. Em segundo, ficou a Finlândia. 

Governo Bolsonaro

Segundo o relatório da Federação Nacional dos Jornalistas, durante o ano de 2020, somente o atual presidente Jair Bolsonaro (sem partido), foi responsável por 41% dos ataques à imprensa no país. De acordo com o levantamento divulgado no ano anterior, de 2019 para 2020, o número de ataques à liberdade de imprensa subiu de 208 para 428 casos, um aumento significativo para os jornalistas, totalizando 105,77% em relação ao ano anterior. 

O desrespeito do governo brasileiro à liberdade de expressão é nítido, podemos observar diversos ataques em diferentes maneiras e proporções. Em abril, quando as mortes por Covid-19 se aproximavam de 400 mil no Brasil, Bolsonaro chamou de “idiota” a jornalista Driele Veiga, repórter do Grupo Aratu, que o questionou sobre uma foto divulgada pelo próprio Palácio do Planalto. 

Vale lembrar que a imprensa é uma parte essencial do funcionamento de uma democracia e todos esses ataques causam preocupação. Os ataques em geral às mulheres também subiram, foram de 21,7% dos casos em 2019, para 28,5% dos casos em 2020. De acordo com o site AzMina, esses insultos onde a questão de gênero aparece, infelizmente ainda são muito fortes em diferentes nichos. As mulheres jornalistas são atacadas não pelo seu trabalho ou carreira, mas sim pela aparência, temperamento, questões sexuais e também morais. Os ataques misóginos do presidente contra jornalistas não são algo isolado ou um mero detalhe, é uma amostragem do que ele acredita e deixa claro em diversas situações, é uma parte importante de uma forma errada de governar, dizendo que as mulheres devem ficar em casa, que a imprensa deve ficar quieta e que o povo deve ficar ignorante. 

Os ataques são tão recorrentes que no ano de 2019, a ministra da mulher, família e direitos humanos, Damares Alves, disse que abriria uma denúncia contra a Revista AzMina. Isso porque elas reuniram e organizaram informações sobre um tema ainda considerado tabu, o aborto seguro. 

Todos os meios jornalísticos e jornalistas estão sob ataque e precisam do apoio da sociedade que busque informação para isso mudar, pois grande parte da imprensa faz o que o bom jornalismo manda: serviço público com as melhores fontes de informação disponíveis.

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