Trump pede rendição do Irã que afirma que ‘ainda nem começou’
Países trocam acusações de ataques no Estreito de Ormuz durante cessar-fogo, mas EUA afirma que trégua está em vigor
O cessar-fogo no Oriente Médio voltou a ficar sob forte tensão nesta semana, após uma nova troca de ataques entre Estados Unidos e Irã no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo. A instabilidade ocorre em meio à campanha de pressão militar e econômica conduzida pelo governo norte-americano contra Teerã, iniciada após os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã em 28 de fevereiro.
No Salão Oval da Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom nesta terça-feira (5) contra o regime iraniano e afirmou que o país “deveria hastear a bandeira branca da rendição”. Segundo ele, as Forças Armadas iranianas estariam enfraquecidas a ponto de disparar apenas “armas de brinquedo”. Trump também disse que, apesar das declarações públicas mais duras, o Irã deseja negociar em privado.
“Eles jogam jogos, mas deixe-me dizer uma coisa: eles querem fazer um acordo. E quem não quereria, quando seu Exército está completamente dizimado?”, declarou o presidente norte-americano.
Trump também elogiou o bloqueio norte-americano aos portos iranianos, medida adotada como parte da ofensiva dos EUA para isolar Teerã. Segundo ele, a operação tem sido eficaz para impedir a circulação de navios ligados ao Irã. “É como um pedaço de aço. Ninguém vai desafiar o bloqueio”, afirmou. O presidente também disse esperar que o sistema financeiro iraniano fracasse. “Espero que fracasse. Sabe por quê? Porque quero ganhar”, declarou.
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Hegseth afirma que cessar-fogo segue em vigor
As falas ocorrem em um momento delicado para o cessar-fogo. Na segunda-feira (4), o almirante Brad Cooper, comandante do Comando Central dos Estados Unidos, afirmou que forças norte-americanas destruíram seis pequenas embarcações iranianas no Estreito de Ormuz. A ação ocorreu depois que Trump enviou a Marinha para escoltar petroleiros retidos na região, em uma operação chamada por ele de “Projeto Liberdade”.
O Estreito de Ormuz está praticamente fechado desde o início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro. A passagem é fundamental para o transporte global de petróleo. Navios mercantes no Golfo Pérsico relataram explosões e incêndios na segunda-feira (4), e os Emirados Árabes acusaram o Irã após um ataque a um porto petrolífero.
Apesar dos confrontos, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou nesta terça-feira (5), em coletiva no Pentágono, que o cessar-fogo “não acabou”. O chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, afirmou que o Irã atacou forças norte-americanas mais de dez vezes desde o anúncio do cessar-fogo, mas classificou os episódios como abaixo do “limiar para a retomada de grandes operações de combate”.
Irã afirma que “ainda nem começou” em Ormuz
Do lado iraniano, o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, usou sua conta no X para acusar os Estados Unidos de violarem o cessar-fogo com ataques no Estreito de Ormuz. Ghalibaf afirmou que uma “nova equação” está se consolidando na região e declarou que o Irã “ainda nem começou” sua reação às medidas norte-americanas. “Sabemos bem que a continuidade do status quo atual é insuportável para os EUA, e nós nem começamos ainda”, escreveu.
A tensão também foi alimentada por declarações feitas por Trump ainda na terça-feira, quando afirmou que, cerca de duas semanas antes, o Irã teria disparado 111 mísseis “sofisticados” contra um porta-aviões norte-americano no Oriente Médio. Segundo o presidente, todos foram derrubados pelas defesas aéreas da embarcação. “Nós temos os melhores equipamentos e armamentos do mundo”, declarou.