quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Transporte

Diesel não deve ficar mais barato no Goiás apesar de nova política federal

Medida ajuda a evitar aumento de custos para transporte e agronegócio, mas não deve gerar economia direta ao consumidor

João César Almeidapor em
Diesel
Subsídio ao diesel anunciado pela Petrobras deve evitar alta nos preços, mas não representa redução efetiva para consumidores e produtores rurais goianos - Foto: Marcelo Camargo/ABr

Na última segunda-feira (1º), o Conselho de Administração da Petrobras aprovou a subvenção econômica aos produtores e importadores de óleo diesel de uso rodoviário no país, no valor de R$ 1,12 por litro.

A nova política anunciada para o diesel tem gerado dúvidas sobre seus efeitos práticos na economia e no bolso dos consumidores. Embora a estatal tenha aderido à subvenção econômica criada pelo governo federal, no valor de R$ 1,12 por litro comercializado, o benefício foi acompanhado por um reajuste exatamente no mesmo valor. Na prática, os preços de venda para as distribuidoras permanecem inalterados.

A medida entrou em vigor nesta terça-feira (2). Segundo a empresa, a adesão ao programa de subsídio é compatível com sua estratégia comercial e permite preservar a flexibilidade na formação de preços, sem repassar ao mercado interno oscilações conjunturais do cenário internacional e da taxa de câmbio.

Apesar da expectativa de que a iniciativa pudesse reduzir custos para transportadores, produtores rurais e consumidores finais, a avaliação do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Goiás (Sindiposto) é de que não deve haver impacto perceptível nas bombas.

De acordo com a entidade, o desconto concedido tem a função de neutralizar a reoneração dos tributos federais PIS e Cofins sobre o diesel, que voltou a vigorar neste mês. Assim, um efeito acaba compensando o outro, mantendo os preços praticamente no mesmo patamar.

“O desconto em valor equivalente ao da subvenção econômica neutralizará a reoneração de PIS e Cofins. Portanto, não é esperada nenhuma variação no preço para o consumidor decorrente dessas medidas”, informou o Sindiposto em nota.

A situação tem reflexos diretos para Goiás, cuja economia possui forte ligação com o agronegócio e com a logística rodoviária. O diesel é um dos principais insumos para o transporte de grãos, insumos agrícolas e mercadorias, além de ser amplamente utilizado em máquinas e equipamentos do campo.

Entretanto, como a nova política não reduz efetivamente o valor pago pelas distribuidoras, os efeitos para os produtores rurais tendem a ser limitados. A expectativa é de manutenção dos custos atuais, sem um alívio significativo para o setor produtivo.

Outro fator destacado pelo Sindiposto é que o mercado brasileiro não é abastecido exclusivamente pela Petrobras. Além do combustível produzido pela estatal, há participação de refinarias privadas e também de diesel importado. Isso significa que a formação dos preços continua sujeita a diferentes variáveis, incluindo custos logísticos, câmbio e condições do mercado internacional.

Nesse cenário, a medida funciona mais como um mecanismo de compensação tributária do que como uma redução efetiva de preços. Embora ajude a evitar aumentos decorrentes da retomada da cobrança de tributos federais, ela não representa uma queda concreta no valor do combustível para consumidores e empresas.

Para a economia goiana, o principal efeito imediato é justamente impedir um impacto maior nos custos de transporte e produção. Isso pode contribuir para preservar a competitividade de setores estratégicos, especialmente o agronegócio, mas sem gerar uma redução expressiva nas despesas operacionais.

Dessa forma, o subsídio não deve resultar em combustível mais barato para os goianos. O benefício atua como uma espécie de amortecedor, evitando que a reoneração dos impostos provoque um aumento imediato no preço do diesel. Para produtores rurais, transportadores e consumidores, a expectativa é de estabilidade nos preços, e não de redução.

Leia também: UTIs em Goiás superam recomendação da OMS, mas acesso pelo SUS é quase oito vezes menor

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