sexta-feira, 26 de junho de 2026
Transporte

Diesel não deve ficar mais barato no Goiás apesar de nova política federal

Medida ajuda a evitar aumento de custos para transporte e agronegócio, mas não deve gerar economia direta ao consumidor

João Césarpor João César em 5 de junho de 2026
Diesel
Subsídio ao diesel anunciado pela Petrobras deve evitar alta nos preços, mas não representa redução efetiva para consumidores e produtores rurais goianos - Foto: Marcelo Camargo/ABr

Na última segunda-feira (1º), o Conselho de Administração da Petrobras aprovou a subvenção econômica aos produtores e importadores de óleo diesel de uso rodoviário no país, no valor de R$ 1,12 por litro.

A nova política anunciada para o diesel tem gerado dúvidas sobre seus efeitos práticos na economia e no bolso dos consumidores. Embora a estatal tenha aderido à subvenção econômica criada pelo governo federal, no valor de R$ 1,12 por litro comercializado, o benefício foi acompanhado por um reajuste exatamente no mesmo valor. Na prática, os preços de venda para as distribuidoras permanecem inalterados.

A medida entrou em vigor nesta terça-feira (2). Segundo a empresa, a adesão ao programa de subsídio é compatível com sua estratégia comercial e permite preservar a flexibilidade na formação de preços, sem repassar ao mercado interno oscilações conjunturais do cenário internacional e da taxa de câmbio.

Apesar da expectativa de que a iniciativa pudesse reduzir custos para transportadores, produtores rurais e consumidores finais, a avaliação do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Goiás (Sindiposto) é de que não deve haver impacto perceptível nas bombas.

De acordo com a entidade, o desconto concedido tem a função de neutralizar a reoneração dos tributos federais PIS e Cofins sobre o diesel, que voltou a vigorar neste mês. Assim, um efeito acaba compensando o outro, mantendo os preços praticamente no mesmo patamar.

“O desconto em valor equivalente ao da subvenção econômica neutralizará a reoneração de PIS e Cofins. Portanto, não é esperada nenhuma variação no preço para o consumidor decorrente dessas medidas”, informou o Sindiposto em nota.

A situação tem reflexos diretos para Goiás, cuja economia possui forte ligação com o agronegócio e com a logística rodoviária. O diesel é um dos principais insumos para o transporte de grãos, insumos agrícolas e mercadorias, além de ser amplamente utilizado em máquinas e equipamentos do campo.

Entretanto, como a nova política não reduz efetivamente o valor pago pelas distribuidoras, os efeitos para os produtores rurais tendem a ser limitados. A expectativa é de manutenção dos custos atuais, sem um alívio significativo para o setor produtivo.

Outro fator destacado pelo Sindiposto é que o mercado brasileiro não é abastecido exclusivamente pela Petrobras. Além do combustível produzido pela estatal, há participação de refinarias privadas e também de diesel importado. Isso significa que a formação dos preços continua sujeita a diferentes variáveis, incluindo custos logísticos, câmbio e condições do mercado internacional.

Nesse cenário, a medida funciona mais como um mecanismo de compensação tributária do que como uma redução efetiva de preços. Embora ajude a evitar aumentos decorrentes da retomada da cobrança de tributos federais, ela não representa uma queda concreta no valor do combustível para consumidores e empresas.

Para a economia goiana, o principal efeito imediato é justamente impedir um impacto maior nos custos de transporte e produção. Isso pode contribuir para preservar a competitividade de setores estratégicos, especialmente o agronegócio, mas sem gerar uma redução expressiva nas despesas operacionais.

Dessa forma, o subsídio não deve resultar em combustível mais barato para os goianos. O benefício atua como uma espécie de amortecedor, evitando que a reoneração dos impostos provoque um aumento imediato no preço do diesel. Para produtores rurais, transportadores e consumidores, a expectativa é de estabilidade nos preços, e não de redução.

Leia também: UTIs em Goiás superam recomendação da OMS, mas acesso pelo SUS é quase oito vezes menor

Siga o Canal do Jornal O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do Jornal O Hoje.
Tags:
Veja também