Às vésperas da Copa, mercado de artigos de futebol vive “boom” de vendas no Brasil
O setor já acumula R$ 1,2 bilhão em vendas online em 2026, com destaque para as camisas da Seleção Brasileira
A Copa do Mundo de 2026 já produz efeitos significativos sobre o consumo dos brasileiros. Mesmo antes do início da competição, a procura por produtos ligados ao futebol disparou, impulsionando o varejo esportivo e movimentando bilhões de reais em vendas. O principal destaque é o mercado de camisas de futebol, que registrou crescimento de 80,2% nas vendas online em 2026, consolidando-se como um dos segmentos mais aquecidos do comércio eletrônico nacional.
Levantamento da empresa de inteligência para o varejo Confi, com base em dados da plataforma Neotrust, mostra que o setor faturou R$ 1,2 bilhão entre janeiro e o início de junho deste ano. No período, mais de 4 milhões de peças foram comercializadas, alta de 69,1% em comparação ao mesmo intervalo de 2025. O ticket médio também avançou, alcançando R$ 295,90 por compra.
Os números demonstram a força econômica do futebol no Brasil e evidenciam como grandes eventos esportivos continuam exercendo forte influência sobre o comportamento do consumidor.

Uniforme da Seleção lidera corrida de compras
Grande parte desse desempenho foi impulsionada pela procura pelos novos uniformes da Seleção Brasileira. Entre 13 de março, data de lançamento da nova camisa, e 2 de junho, foram vendidas aproximadamente 915 mil unidades oficiais.
O faturamento gerado apenas pelas camisas da equipe nacional chegou a R$ 382 milhões no período, com ticket médio de R$ 417,50 por peça.
O resultado reforça um fenômeno recorrente em anos de Copa do Mundo: a valorização dos produtos associados à Seleção. Além do simbolismo esportivo, a camisa da equipe brasileira tornou-se um item de consumo ligado à identidade nacional, à moda e à cultura popular.
Especialistas do varejo observam que, nos últimos anos, as camisas de futebol deixaram de ser exclusivamente produtos esportivos para se transformarem em peças presentes no cotidiano dos consumidores, ampliando o público interessado nesse mercado.
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Futebol vai além das quatro linhas
O crescimento das vendas não se restringe aos uniformes oficiais. Em anos de Mundial, toda uma cadeia econômica ligada ao futebol costuma registrar aumento na demanda.
Artigos esportivos, acessórios temáticos, bolas, chuteiras, bandeiras, itens colecionáveis e produtos licenciados normalmente acompanham o movimento de alta observado no mercado de camisas.
O efeito também alcança bares, restaurantes, lojas de eletrônicos e o setor de entretenimento, que costumam se beneficiar do aumento da audiência dos jogos e das reuniões entre amigos e familiares durante a competição.
Historicamente, eventos esportivos de grande porte funcionam como importantes catalisadores de consumo. A Copa do Mundo, em especial, possui forte apelo emocional e mobiliza consumidores de diferentes perfis econômicos, gerando oportunidades para diversos segmentos do comércio.

Consumidor adulto concentra a maior demanda
Os dados do levantamento mostram que o consumo está concentrado principalmente na população economicamente ativa.
A faixa etária entre 25 e 44 anos liderou as compras realizadas pela internet, refletindo o maior poder de consumo desse público. O comportamento indica que a aquisição de produtos relacionados ao futebol não se limita aos torcedores mais jovens, mas alcança consumidores que possuem maior capacidade financeira.
O levantamento também aponta predominância masculina nas compras. Os homens responderam por 78,2% das aquisições, enquanto as mulheres representaram 21,8% do total.
Apesar da diferença, especialistas observam que a participação feminina no mercado esportivo tem crescido de forma consistente nos últimos anos, acompanhando o aumento da presença das mulheres tanto como consumidoras quanto como praticantes e torcedoras.
Com bilhões de reais movimentados antes mesmo do início da competição, a Copa de 2026 confirma que o futebol continua sendo um dos ativos mais valiosos da economia do entretenimento no Brasil, influenciando diretamente hábitos de consumo e estratégias comerciais em diversos segmentos do mercado.