Brasil enfrenta El Niño forte e alta dos fertilizantes na próxima safra
Clima mais extremo e aumento de 35% nos preços dos insumos elevam a preocupação do agronegócio com os custos e a produtividade das lavouras em 2027
A agricultura brasileira entra no segundo semestre de 2026 sob atenção diante da combinação entre a possibilidade de um El Niño de forte intensidade e a alta dos custos dos fertilizantes. O cenário pode afetar as condições climáticas e elevar as despesas de produção, com reflexos sobre as safras de 2027 e os preços das commodities.
O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos aponta mais de 90% de probabilidade de um episódio de El Niño “muito forte” entre o fim de 2026 e o início de 2027. Há ainda 69% de chance de o fenômeno alcançar intensidade histórica, superando registros de 1950. No Brasil, os efeitos variam conforme a região e a cultura, com possibilidade de impactos sobre o regime de chuvas.
Para algumas cadeias, o fenômeno pode trazer efeitos inicialmente favoráveis. A expectativa é de condições positivas para o açúcar e o café arábica. Por outro lado, a possibilidade de seca no fim do ano coloca as lavouras da safra de 2027 sob atenção, principalmente em áreas mais vulneráveis às alterações no regime de chuvas.
A situação climática ocorre paralelamente à pressão sobre os fertilizantes. Cerca de 1,3 milhão de toneladas de insumos por mês deixaram de transitar pelo Estreito de Ormuz, rota utilizada por exportadores como Brasil e Índia, em meio à guerra no Oriente Médio e às tensões envolvendo o Irã. Nos primeiros cinco meses de 2026, os preços dos fertilizantes subiram 35%.
Para o produtor brasileiro, o aumento dos custos ocorre em um momento de incerteza sobre as condições climáticas. A combinação entre insumos mais caros e possíveis alterações na oferta de chuva pode elevar o custo das próximas safras.
As mudanças também afetam o mercado internacional. O cacau ultrapassou US$ 12 mil por tonelada após quebras de safra na África Ocidental, enquanto o arroz pode registrar perdas de produtividade entre 20% e 50% em áreas vulneráveis da Ásia e da África.
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