sexta-feira, 3 de julho de 2026
NEGOCIOS

Nova corrida do mercado é por executivos que dominam inteligência artificial (IA)

Com a expansão da IA generativa e da IA agêntica, cresce a demanda por profissionais que unam tecnologia, estratégia, governança e visão de negócios

Otavio Augustopor Otavio Augusto em 2 de julho de 2026
Nova corrida do mercado é por executivos que dominam inteligência artificial (IA)

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta voltada às áreas de tecnologia e passou a ocupar um espaço permanente nas estratégias corporativas. À medida que empresas aceleram investimentos em inteligência artificial generativa e IA agêntica, cresce também a procura por executivos capazes de liderar essa transformação. O movimento já impulsiona a criação de uma nova geração de cargos de alta liderança, como o Chief AI Officer (CAIO), responsável por definir estratégias, estabelecer políticas de governança e transformar dados e inteligência artificial em vantagem competitiva.

A mudança acompanha uma nova fase da adoção da IA nas empresas. Depois de um período marcado por testes e projetos-piloto, organizações de diversos segmentos agora buscam integrar a tecnologia às operações e aos processos decisórios, elevando a inteligência artificial ao mesmo nível estratégico de áreas como finanças, marketing e recursos humanos.

IA
Foto: Divulgação

Um levantamento da Amazon Web Services (AWS) mostra que 56% das organizações já possuem um Chief AI Officer, enquanto 31% pretendem criar essa posição até o fim de 2026, evidenciando que a liderança em IA deixou de ser tendência para se tornar realidade nas grandes empresas.

Nova liderança surge com a expansão da IA nas empresas

A ascensão desses executivos reflete uma transformação na própria estrutura organizacional. Durante décadas, o Chief Information Officer (CIO) concentrou praticamente toda a estratégia tecnológica das empresas. Agora, o avanço da inteligência artificial exige competências específicas relacionadas à gestão de dados, governança, ética, inovação e transformação digital.

Segundo Francisco Massaro, coordenador do MBA em Chief AI & Data Officer da FIAP, o surgimento de cargos como Chief Data Officer (CDO) e Chief AI Officer (CAIO) representa uma evolução natural da liderança tecnológica. Enquanto o CIO permanece responsável pela infraestrutura e pelos sistemas corporativos, os novos executivos passam a atuar na construção da estratégia de IA, definição de investimentos, mitigação de riscos e geração de valor para o negócio.

Foto gerada por IA

Esse perfil reúne competências multidisciplinares que combinam conhecimento técnico, visão empresarial, liderança de equipes, gestão de mudanças e capacidade de conectar inovação aos objetivos financeiros da organização.

Empresas ampliam investimentos e disputam profissionais especializados

A corrida por executivos especializados acompanha o crescimento dos investimentos em inteligência artificial. Pesquisa global da AWS revela que 92% das organizações pretendem contratar profissionais com competências em IA generativa, ao mesmo tempo em que investem na requalificação de suas equipes para acelerar a adoção da tecnologia.

O movimento ocorre porque a IA já não é vista apenas como ferramenta de automação. Empresas buscam utilizá-la para prever demandas, personalizar serviços, otimizar cadeias produtivas, reduzir custos, acelerar decisões estratégicas e desenvolver novos produtos.

Dados passam a ser o principal ativo estratégico das organizações

Nesse novo cenário, dados e inteligência artificial tornam-se elementos inseparáveis. Se os sistemas de analytics ajudam empresas a compreender padrões de consumo e comportamento, a IA amplia a capacidade de prever cenários, automatizar processos e apoiar decisões complexas em tempo real.

Para Gabriel Vernalha, também coordenador do MBA da FIAP, o diferencial competitivo das empresas dependerá cada vez mais da capacidade de transformar grandes volumes de dados em decisões estratégicas.

Essa realidade vem impulsionando uma demanda crescente por profissionais que dominem não apenas algoritmos e modelos de IA, mas também temas como governança de dados, segurança da informação, privacidade, conformidade regulatória e relacionamento com a alta administração.

Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com a implementação responsável da tecnologia. A própria AWS aponta que muitas organizações ainda precisam desenvolver estratégias estruturadas de gestão da mudança para preparar funcionários e lideranças para um ambiente corporativo cada vez mais orientado por inteligência artificial.

Embora os investimentos em IA continuem acelerando, especialistas destacam que o maior desafio das empresas deixou de ser adotar a tecnologia e passou a ser gerar retorno financeiro a partir dela.

 

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