quinta-feira, 13 de agosto de 2026
NEGOCIOS

Brasil envelhece e mercado de cuidadores ganha força

População com 60 anos ou mais já representa 16,6% dos brasileiros, enquanto 1,24 milhão de trabalhadores atuam em atividades de cuidado

Otavio Augustopor Otavio Augusto em
Brasil envelhece e mercado de cuidadores ganha força

O envelhecimento da população brasileira está mudando não apenas a estrutura demográfica do país, mas também a demanda por serviços. Em 2025, as pessoas com 60 anos ou mais representavam 16,6% da população brasileira, segundo a PNAD Contínua, do IBGE. Em 2012, essa parcela era de 11,3%. No mesmo período, a participação das pessoas com menos de 30 anos caiu de 49,9% para 41,4%.

A transformação demográfica aumenta a necessidade de serviços relacionados ao cuidado e cria espaço para empresas especializadas. O mercado, entretanto, não se limita à assistência a idosos. Crianças e pessoas que precisam de acompanhamento no dia a dia também fazem parte dessa demanda.

Envelhecimento muda perfil da demanda

O crescimento da população idosa ocorre em um cenário de redução da participação dos grupos mais jovens. Em 2025, o Brasil tinha 212,7 milhões de habitantes, enquanto a proporção de pessoas com menos de 30 anos chegou a 41,4%. O movimento acompanha uma tendência de envelhecimento que vem sendo registrada pelo IBGE há anos.

Para o mercado, a mudança significa uma necessidade crescente de serviços capazes de atender pessoas que precisam de acompanhamento nas atividades cotidianas. O cuidado pode ocorrer na própria residência, em períodos determinados ou de maneira mais contínua, dependendo da necessidade da família.

cuidadores

Esse cenário também está relacionado à chamada economia prateada, expressão usada para identificar produtos e serviços direcionados à população com 50 anos ou mais. O avanço desse público amplia o espaço para negócios voltados à saúde, bem-estar, moradia, lazer e cuidados.

Cuidado já representa 1,24 milhão de trabalhadores

Os números do mercado de trabalho mostram que a atividade de cuidado já possui participação relevante. De acordo com levantamento do DIEESE, baseado na PNAD Contínua, havia 5,93 milhões de pessoas ocupadas em serviços domésticos no quarto trimestre de 2024.

Desse total, as atividades de cuidado — incluindo cuidados pessoais a domicílio e cuidados de crianças – representavam aproximadamente – e 21%, o equivalente a 1,24 milhão de profissionais. Em 2014, eram 14%, ou 807 mil pessoas.

O crescimento ocorreu principalmente entre os profissionais de cuidados pessoais a domicílio. A participação dessa atividade entre os trabalhadores domésticos passou de 5,8% em 2014 para 11,1% em 2024. Já os cuidadores de crianças representavam 9,8% em 2024.

Pequenos negócios entram no segmento

O avanço da demanda também abre espaço para empresas especializadas em intermediar ou oferecer serviços de cuidado. Em vez de a família contratar diretamente um profissional, surgem negócios responsáveis por selecionar, organizar e acompanhar cuidadores de acordo com o perfil e a necessidade de cada cliente.

O material que embasa esta reportagem aponta dados do Sebrae segundo os quais o número de micro e pequenas empresas relacionadas aos cuidados de idosos e pacientes em situação domiciliar cresceu 74% entre 2020 e 2025. Em 2025, teriam sido abertos 57,2 mil CNPJs relacionados à atividade.

Regulamentação pode mudar o mercado

Outro movimento importante ocorre no campo da regulamentação profissional. O Projeto de Lei 203/2025, apresentado na Câmara dos Deputados, propõe regulamentar o exercício da profissão de cuidador de idosos. O texto, porém, não deve ser tratado como uma regulamentação já aprovada.

A proposta tramita na Câmara e passou por alterações durante a análise legislativa. Em julho de 2025, a Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa aprovou um substitutivo que regulamenta a profissão. A proposta ainda precisa seguir pelas demais etapas previstas no processo legislativo.

Há ainda outras propostas relacionadas ao segmento. Em março de 2026, o PL 6320/2025, que também trata da regulamentação da profissão de cuidador de pessoa idosa, foi apensado ao PL 5859/2025 e permanece em tramitação.

O mercado de cuidadores está, portanto, ligado a uma transformação que tende a continuar: o Brasil tem uma população proporcionalmente mais velha e uma parcela menor de jovens. Os dados do IBGE mostram que a participação dos idosos subiu mais de cinco pontos percentuais entre 2012 e 2025.

Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho já registra 1,24 milhão de pessoas atuando em ocupações de cuidado dentro do trabalho doméstico remunerado.

 

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