sábado, 31 de outubro de 2026
AVICULTURA

Goiás amplia produção de frango e avança com demanda internacional

Abate de aves cresce 7,1% no primeiro trimestre, enquanto vendas externas aumentaram 18,2%

Micael Mourapor em
frango
Demanda internacional ajuda a sustentar emprego e renda no setor Foto: Divulgação

O abate de frangos em Goiás cresceu 7,1% entre janeiro e março de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo dados da Pesquisa Trimestral do Abate de Animais, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Estado registrou o maior avanço entre os principais produtores nacionais de carne de frango.

Nos três primeiros meses do ano, foram abatidas 135,6 milhões de cabeças em Goiás. O volume representa 7,9% do total nacional e mantém o Estado na quinta posição do ranking brasileiro. Paraná lidera, com 34,4% do abate nacional, seguido por Santa Catarina, com 13,7%; Rio Grande do Sul, com 11,4%; e São Paulo, com 11,3%.

Além do número de aves abatidas, o peso das carcaças também aumentou. Foram 309,3 mil toneladas no primeiro trimestre, alta de 10,5% em relação ao mesmo período de 2025.

Para o economista Luiz Carlos Ongaratto, o aumento da demanda internacional, principalmente da China, está entre os fatores que ajudam a explicar o crescimento do abate em Goiás. Segundo Ongaratto, o país asiático já teria superado, em 2026, o volume total de carne de frango importado de Goiás durante todo o ano de 2025.

O economista destaca que a combinação entre mercado externo e consumo interno também contribui para dar maior segurança às empresas do setor. “A exportação, combinada ao mercado interno, permite às empresas terem maior previsibilidade na demanda e diluem os riscos mercadológicos”, avalia.

Ongaratto também ressalta a importância do comércio internacional para a manutenção da atividade econômica. Segundo o economista, a demanda externa é importante para a continuidade e o crescimento da geração de emprego e renda no setor de avicultura.

Outro fator apontado pelo economista é a competitividade de Goiás. O Estado reúne condições climáticas favoráveis e possui produção de milho, um dos principais insumos utilizados na alimentação das aves. Esses fatores ajudam a reduzir os custos de produção e aumentam a competitividade da avicultura goiana.

Mercado internacional

O crescimento da produção acompanha o avanço das exportações. Segundo a 83ª edição do Agro em Dados, publicação da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (Seapa), o Estado exportou 181,9 mil toneladas de carne de frango entre janeiro e julho de 2026.

O volume representa crescimento de 18,2% em relação aos primeiros sete meses de 2025. No período, a carne de frango produzida em Goiás chegou a 95 países.

Em receita, as exportações movimentaram US$ 370,5 milhões, alta de 23,3% na comparação com o mesmo período do ano passado.

A China aparece entre os principais destinos e representa 16,1% do valor exportado. O país também registrou forte aumento nas compras de carne de frango goiana, com alta de 95,5%. Na sequência aparecem Japão, com 12,9% do valor exportado; Emirados Árabes Unidos, com 11,8%; Arábia Saudita, com 7,4%; e Albânia, com 4,8%.

Para Ênio Fernandes, engenheiro agrônomo, produtor rural e consultor de mercado especializado em agronegócio, o cenário favorável não está restrito à avicultura. o consultor explica que, de maneira geral, o mercado de proteínas animais apresenta um momento positivo, com exceção da carne suína, que enfrenta dificuldades relacionadas ao aumento da produção e à demanda.

Na avaliação de Fernandes, o frango se beneficia por ser uma das proteínas de origem animal com preço mais acessível. O consultor explica que os valores elevados de outras carnes em mercados como Estados Unidos e Europa favorecem a procura pelo frango “É o frango e a proteína animal. É uma das mais baratas”, afirma.

O consultor também destaca a força do mercado internacional para o produto brasileiro. Segundo Ênio, o Brasil possui uma ampla presença no comércio exterior, com carne de frango destinada a mais de 170 países. A demanda, porém, pode variar de acordo com o momento de cada mercado e com o comportamento dos preços internacionais.

Oportunidade para Goiás

Para Ênio Fernandes, Goiás ocupa uma posição importante nesse cenário por possuir polos de produção de aves e uma cadeia ligada ao agronegócio. O avanço da atividade representa, segundo o consultor, uma oportunidade de desenvolvimento econômico, especialmente para os municípios do interior.

O crescimento da avicultura movimenta diferentes etapas da cadeia produtiva e contribui para a geração de emprego e renda. “Isso é importante mesmo para o desenvolvimento, traz emprego, traz renda para o interior”, destaca Fernandes.

A avaliação ocorre em um momento de expansão da produção e das exportações. Além do aumento no número de aves abatidas, Goiás também ampliou o volume de carne comercializada no exterior e a receita obtida com as vendas.

Cortes mais exportados

Entre os produtos comercializados no exterior, asas e peito representam a maior parcela do valor exportado por Goiás, com 37,3%. Em seguida aparecem coxas com sobrecoxas, com 28,7%; galos e galinhas não cortados congelados, com 17,9%; pedaços ou miudezas congeladas, com 13%; e outros cortes, que correspondem a 3,1%.

Os números mostram que o crescimento da cadeia de frango ocorre tanto na produção quanto na comercialização. Em um cenário de aumento da demanda externa e manutenção do consumo interno, o setor amplia sua participação na economia goiana e fortalece a presença de Goiás no mercado internacional de carne de frango.

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