Uber anuncia demissão de 3,3 mil funcionários em corte global
Redução atingirá 10% do quadro corporativo e será a maior promovida pela empresa desde a pandemia; motoristas e entregadores não estão incluídos
A Uber anunciou nesta quarta-feira (2) a demissão de aproximadamente 3,3 mil funcionários em diferentes países. O número corresponde a cerca de 10% do quadro corporativo da empresa e representa o maior corte realizado pela companhia desde a pandemia de Covid-19.
A medida faz parte de uma reestruturação destinada a reduzir níveis hierárquicos, unir equipes e acelerar a tomada de decisões. A Uber tinha aproximadamente 34 mil empregados no fim de 2025.
O corte não inclui motoristas e entregadores cadastrados na plataforma. Esses profissionais são classificados pela companhia como trabalhadores independentes e não fazem parte do quadro de funcionários afetado pela decisão.
Empresa pretende simplificar estrutura
Em comunicado interno, o diretor-executivo Dara Khosrowshahi afirmou que a Uber apresentou crescimento expressivo nos últimos cinco anos, período em que a receita quase triplicou. A expansão, porém, teria deixado a estrutura da companhia mais complexa. Segundo o executivo, o crescimento resultou na criação de muitas equipes pequenas, níveis de gestão e processos que passaram a dificultar a definição das responsabilidades e a rapidez das decisões.
A reestruturação prevê a eliminação de aproximadamente metade das chamadas “microequipes”, além da fusão de áreas que desempenham funções semelhantes. As divisões responsáveis pelas entregas de restaurantes, produtos do varejo e vendas diretas passarão a operar sob uma única liderança.
A companhia também pretende concentrar funcionários em seus principais escritórios e reduzir significativamente o número de profissionais autorizados a trabalhar totalmente a distância.
Investimentos em carros autônomos
Parte dos recursos economizados com a reestruturação deverá ser direcionada a áreas consideradas estratégicas, entre elas o desenvolvimento de soluções ligadas aos veículos autônomos. A Uber enfrenta o avanço de empresas que operam robotáxis, como Waymo e Tesla, no mercado de transporte por aplicativo. A companhia vem formando parcerias e reservando bilhões de dólares para ampliar sua presença no setor.
Apesar dos investimentos em inteligência artificial e automação, Khosrowshahi não atribuiu diretamente as novas demissões ao uso dessas tecnologias. A justificativa apresentada foi a necessidade de simplificar a estrutura e tornar a empresa mais eficiente.
Maior redução desde 2020
A última grande rodada de desligamentos ocorreu em 2020, quando as restrições provocadas pela pandemia reduziram drasticamente a demanda por corridas. Naquele período, aproximadamente 6,7 mil postos de trabalho foram eliminados em duas etapas. A Uber também promoveu cortes menores ao longo de 2026, incluindo reduções nos departamentos de recursos humanos e atendimento ao consumidor.
De acordo com a empresa, a maior parte dos funcionários atingidos já foi comunicada. Em países onde a legislação exige processos específicos de consulta e negociação, os desligamentos seguirão os procedimentos locais.
A decisão ocorre apesar dos resultados recentes da companhia. No segundo trimestre de 2026, a Uber registrou receita de US$ 14,2 bilhões, alta de 12%, e lucro líquido de US$ 2,4 bilhões. As informações são da Reuters e do InfoMoney.
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