Carne bovina e suína ficam mais baratas após queda nas exportações para a China
Carne suína acumulou queda de 8,11% no ano, enquanto exportações brasileiras recuaram em julho
A carne bovina e a suína registraram queda de preços no mercado brasileiro entre janeiro e julho de 2026. Segundo o Índice de Preços de Supermercados (IPS), elaborado pela Associação Paulista de Supermercados (APAS) em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), o movimento aparece em diferentes cortes.
Entre as carnes bovinas, o acém apresentou a maior redução no período, com queda de 3,90%. Na sequência, a alcatra ficou 2,77% mais barata.
Além disso, outros cortes também tiveram redução. O coxão mole caiu 2,45%. Já o contrafilé registrou baixa de 1,76%. O patinho teve redução de 1,39%, enquanto o filé mignon recuou 1,30%.
O que aconteceu com os cortes mais consumidos?
A redução também atingiu a carne suína. No acumulado do ano, o segmento apresentou queda de 8,11%.
Nesse caso, o pernil com osso registrou a maior redução, de 13,52%. Em seguida, o lombo com osso apresentou queda de 10,16%.
De acordo com o economista-chefe da APAS, Felipe Queiroz, a redução aparece principalmente em cortes presentes no consumo cotidiano. Segundo ele, a queda representa um alívio para os consumidores.

O comportamento dos preços está relacionado, entre outros fatores, ao desempenho das exportações brasileiras de carne bovina. A redução das vendas externas altera a quantidade de produto disponível no mercado nacional.
Sendo assim, quando o volume destinado ao exterior diminui, uma parcela maior da produção permanece no país. Com mais produto disponível no mercado interno, os preços podem recuar.
China está no centro da mudança
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que as exportações brasileiras de carne bovina perderam ritmo em julho.
Depois de um primeiro semestre marcado por recordes consecutivos, as vendas externas somaram US$ 1,4 bilhão em julho, o equivalente a cerca de R$ 7,13 bilhões. O resultado representa uma queda de 21% em comparação com junho.
A principal mudança ocorreu nas vendas para a China. O país asiático é o maior comprador da carne bovina brasileira.
Em julho, o Brasil atingiu a cota anual de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina que podem entrar na China sem a cobrança de uma taxa adicional. Após o limite, o excedente passa a pagar uma tarifa de 55% para ingressar no mercado chinês.

Com isso, a comercialização para o país perdeu força. Consequentemente, parte da produção que seria destinada ao mercado externo ficou disponível para compradores brasileiros.
Exportações voltam a influenciar mercado interno
A relação entre os mercados externo e interno ajuda a explicar o movimento dos preços. Quando as exportações diminuem, a oferta disponível no Brasil tende a aumentar.
Felipe Queiroz afirma que o cenário registrado em julho demonstra essa conexão. Segundo o economista, a desaceleração das vendas externas aumenta a quantidade de carne disponível no mercado nacional e pode contribuir para preços menores nos supermercados.
A China concentra uma parcela significativa das exportações brasileiras. Em 2025, os chineses compraram 1,68 milhão de toneladas de carne bovina do Brasil.
O volume representou 48% de toda a carne bovina exportada pelo país naquele ano. Dessa forma, mudanças nas compras chinesas têm impacto direto sobre o fluxo de exportação brasileiro.
A expectativa apresentada no levantamento é que as vendas para a China voltem a ganhar força em novembro. O período coincide com o início da cota referente a 2027.
Até lá, a menor participação do mercado chinês pode manter parte da produção no mercado brasileiro. O movimento, por sua vez, influencia a formação dos preços de diferentes cortes de carne.
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