Obra apresenta “A história do amor através dos tempos”

‘A Invenção do Amor’ aborda os vários ciclos que acompanham uma relação amorosa

Postado em: 21-04-2018 às 06h00
Por: Sheyla Sousa
‘A Invenção do Amor’ aborda os vários ciclos que acompanham uma relação amorosa

GABRIELLA STARNECK*

Continua após a publicidade

O espetáculo A Invenção do Amor, que conta com a presença de Guilherme Piva e Maria Clara Gueiros, será apresentado, em duas sessões, neste domingo (22) no Teatro Madre Esperança Garrido. A dramaturgia da peça inédita de Alessandro Marson e Thereza Falcão se constrói através da ótica do conflito masculino/feminino, numa linguagem crítica e muito bem humorada, com situações que o público imediatamente se identifica. O maior trunfo do texto é falar de um assunto comum e imprescindível na vida de todos: o amor. 

“O projeto foi idealizado pelo Marcelo Valle, diretor da peça. Ele nos pediu um texto contando a história do amor. Alessandro e eu escolhemos um par romântico inusitado, formado por um Sapiens e uma Neanderthal, que “inventam” o amor e logo o conceito de família e casamento. E, assim, remontamos a casais famosos da humanidade, para traçar as peculiaridades do amor em diferentes épocas”, conta Thereza Falcão ao Essência.

‘A Invenção do Amor’

No espetáculo, o público acompanha a relação amorosa de um Homo sapiens com uma Mulher de Neandertal. Ele, dotado de um cérebro privilegiado, vive às voltas com mil e uma invenções e, numa crise de ciúmes, resolve inventar o amor. Sua nova invenção faz com que o casal pré-histórico se antecipe no tempo, vivendo situações que marido e mulher só enfrentariam anos, décadas ou milênios mais tarde.

Em A Invenção do Amor, Croc (Guilherme Piva) e Nhaca (Maria Clara Gueiros) vivenciam o que há de mais cômico e dramático nas relações afetivas. Segundo o diretor Marcelo Valle, “entender como o amor foi inventado não é uma tarefa das mais fáceis… Mas o que propomos com o espetáculo é simples: fragmentamos a evolução de nossos padrões de comportamento para mostrar esse amor que se reinventa, sempre igual, mas sempre diferente. Imaginar qual teria sido o primeiro de todos os casais, para enxergar em todos os outros um pouquinho deles. Ou para enxergar nele um pouquinho de todos os outros. Quem sabe não conseguimos entender assim ‘a invenção do amor’?”. 

Com muitas idas e vindas na linha do tempo, o casal vive experiências do vários tipos de amor vistos ao longo de nossa história – que têm início com o casal de protagonistas vivendo confortavelmente em sua caverna. Contudo, no decorrer do enredo, os personagens são transportados para outros períodos, remontando a casais famosos da humanidade. “O Marcelo Valle que queria montar um texto que contasse a história do amor através dos tempos. A partir daí, pensamos em alguns casais famosos que retratavam tipos específicos de amor, como Romeu e Julieta, Lampião e Maria Bonita. Mas decidimos começar lá no início, na idade da pedra. Aí criamos o Crok e a Nhaca, esse casal pré-histórico que narra toda a nossa peça”, afirma o autor Alessandro Marson. 

Apresentado pelo Circuito Cultural Bradesco Seguros – depois de uma temporada de sucesso de quatro meses no Teatro Leblon, no Rio de Janeiro, assistido por mais de 20 mil espectadores –, o espetáculo está em turnê nacional. Até julho, passará por diversas cidades brasileiras, entre elas, Vitória, Salvador, Campinas e Belo Horizonte, até chegar capital paulista, para uma temporada de dois meses.

Importância 

A Invenção do Amor aborda uma temática comum e relevante a todo o ser humano: o amor. “A gente está falando sobre um sentimento que é comum a todos – independente de lugar, credo, classe social ou idade. E o espetáculo envolve todas essas questões afetivas ligadas ao amor, todos os ciclos que acompanham uma relação amorosa”, destaca o interprete Guilherme Piva.

Por esse motivo, o espetáculo acaba trazendo uma reflexão ao espectador. “Sempre tivemos em mente mostrar que, por mais que a humanidade evolua tecnologicamente, os sentimentos e as maneiras de lidar com eles são praticamente os mesmos. As peculiaridades de uma relação entre homem e mulher como ciúmes, competição, insatisfações pessoais estão dentro de todos, independente do tempo e local onde vivam”, afirma Thereza.

Dificuldades 

Os autores da peça A Invenção do Amor, Alessandro Marson e Thereza Falcão, dizem que a principal dificuldade no processo de escrita foi abordar um assunto que é tão vasto. “Quando os personagens foram criados, vimos que eles renderiam muito. Talvez a maior dificuldade tenha sido editar, manter o foco nas situações propostas”, afirma Alessandro.

Thereza compartilha da mesma visão do parceiro de trabalho: “O amor é um assunto muito vasto, que nos fornece muito material. Poderíamos fazer algumas versões da mesma peça. Até já brincamos com a ideia de fazer A Invenção do Amor – Parte II. Então essa foi a maior dificuldade, escolher os tipos de personagens e os aspectos que gostaríamos de abordar dessas relações amorosas”. 

Embora o espetáculo traga uma reflexão acerca de um sentimento que tem sido tão banalizado nos últimos anos, o objetivo da comédia A Invenção do Amor é entreter as pessoas. “Primeiro queremos divertir o público. Buscamos, através do humor, revelar as varias faces das relações de casais, casamento, filhos, separação, traição. Está tudo ali, mas com um viés de comédia”, finaliza o autor. 

*Integrante do programa de estágio do jornal O HOJE sob orientação 

da editora Flávia Popov

SERVIÇO

‘A Invenção do Amor’

Quando: domingo (22) 

Onde: Teatro Madre Esperança Garrido (Av. Contorno, nº 241, Setor Central – Goiânia)

Horário: às 18h e às 20h

Entrada: R$ 70 (inteira) e R$ 35 (meia)

 

Entrevista : Maria Clara Gueiros 

Qual reflexão ‘A Invenção do Amor’ objetiva despertar no espectador?

Eu acho que é um questionamento em relação a esse machismo que está reinando há muito tempo, porque o espetáculo mostra que em algum momento o homem institui as regras – que são todas favoráveis a ele. O homem pode fazer tudo o que quiser, ele somente tem que caçar, mas, quando volta para caverna, tem que ter tudo bonitinho. Enquanto a mulher tem que cuidar dos filhos e arrumar tudo, o homem pode ter quantas mulheres ele quiser, mas a mulher não. Acho que a reflexão é essa, um dia a mulher chega e questiona: ‘Da onde veio isso?’, ‘quem inventou essas regras?’, e esses questionamentos desmontam toda essa coisa machista que foi criada pelo próprio prazer do homem. É complexa a situação. 

Qual a importância de a peça dar enfoque ao sentimento ‘amor’ em dias em que as relações interpessoais são banalizadas?

Eu acho fundamental. O amor é um sentimento que não deve ser esquecido nunca. Ele une as pessoas e é algo tão nobre! Eu acredito que, hoje, as relações interpessoais são muito banalizadas por questões de aplicativos, redes sociais, do anonimato que a rede social propicia. Por isso, o resgate do amor, do olho no olho, é fundamental!

Como é interpretar uma personagem que transita em um longo espaço de tempo – inclusive entre a evolução do ser humano?

Na verdade, a gente faz um casal da idade da pedra o tempo todo. A gente brinca de ir a outras épocas, mas sempre de Croc e Nhaca – é como se fosse uma projeção do que seria ir num tempo mais à frente. A gente brinca de Lampião e Maria Bonita, Cinquenta Tons de Cinza, Romeu e Julieta, Rei Salomão, e é uma delícia. O mais bacana desse espetáculo é essa brincadeira, que é justamente o que eu acredito que é a essência do teatro. É uma grande brincadeira com o intuito de falar coisas muito importantes e levar as pessoas à reflexão. 

Qual a principal dificuldade em interpretar a personagem Nhaca?

Olha, eu não vejo nenhuma dificuldade não (risos), eu acho uma delícia! Eu criei a Nhaca justamente baseada no que está escrito no texto, que é um processo que sempre faço – eu vejo o que o texto está me pedindo, e começo por aí. Por ser ingênua, ela pergunta tudo para o marido e, a princípio, vai aceitando as regras que ele impõe. Num certo momento, ela começa a questionar isso. O texto vai levando a Nhaca e o espectador para uma conclusão que desemboca em uma modernidade super legal – em que falamos do questionamento do machismo reinante, e todas as questões do feminismo que estão super em voga hoje. Então eu não tive dificuldade em interpretar, porque o texto nos leva tranquilamente. 

Que tipo de aprendizado você teve com essa personagem?

Eu aprendo com todos os personagens que faço, porque eles viram uma entidade. Eu trago coisas minhas para o personagem, e acabo levando para mim coisas que aparecem nessa nova figura. O aprendizado maior – não tinha pensado sobre esse aspecto ainda, estamos pensando juntas – eu acho que é não aceitar tudo o que é dito como uma regra absoluta e poder questionar as coisas que são impostas a gente. No caso da peça, esse machismo que foi imposto é questionado num certo momento. E ela (Nhaca) vai indo nesse questionamento que desemboca numa realidade que hoje em dia é superimportante, como eu falei na resposta anterior, que é o feminismo. Tudo partiu dela não aceitar as coisas do jeito que foram impostas.  

Entrevista : Guilherme Piva 

Qual a importância de o espetáculo dar enfoque ao sentimento ‘amor’, em dias em que as relações interpessoais são tão banalizadas?

Total, porque eu acredito que é esse sentimento que une as pessoas e que está em falta, já que o mundo está muito polarizado. Falar sobre isso, nos dias de hoje, de uma forma bem humorada e crítica, é importante para que as pessoas não apenas se divirtam e se identifiquem, mas também reflitam.

Como é interpretar uma personagem que transita em um longo espaço de tempo – inclusive em relação à evolução do ser humano?

Na verdade, a gente conta a historia do amor que começa com um casal pré-histórico, mas cada ciclo dessa relação – namoro, casamento, separação, ciúmes, entre outros – é representado por algum casal da humanidade. A peça faz uma analogia a várias outras obras conhecidas pelo público, como Romeu e Julieta. Por meio de elementos de fala, damos uma introdução e um final para essas referências que usamos. 

Qual a principal dificuldade em interpretar o personagem Croc?

Na verdade, o nosso maior cuidado em fazer uma comédia que traz uma visão crítica e bem-humorada, é colocar verdade na interpretação. É necessário dar veracidade aos ciclos apresentados no espetáculo, porque é dessa forma que o público se identifica. 

Que tipo de aprendizado você teve com esse personagem?

Eu acho que o aprendizado maior que eu posso ter tido é saber que toda relação é uma construção. Não adianta ficar mudando de parceiros; você vai encontrar as mesmas dificuldades. A grande questão é, primeiramente, mudar a si próprio, e não sair trocando de parceiro em cada dificuldade, porque isso vai refletir nas suas próximas escolhas.  

Veja Também