Cabernet Sauvignon do Chile

O país andino tornou-se uma máquina de produzir vinhos de todos os tipos.

Postado em: 13-01-2022 às 13h55
Por: Redação
O país andino tornou-se uma máquina de produzir vinhos de todos os tipos. | Foto: Reprodução

A Cabernet Sauvignon é um viral do vinho. É a uva mais plantada no mundo. Mas é no Chile que ela faz sucesso. Chegou ao país em 1850 e encontrou na região do Maipo, área chamada atualmente  de Entre Cordilheiras, um solo para chamar de seu. Dali saem os grandes cabernets chilenos, pontuados pela crítica, reverenciados pelos consumidores.

O Chile tornou-se uma máquina de produzir vinhos de todos os tipos – são 13 milhões de hectolitros por ano. O país sofre três grandes influências que definem as três principais áreas de vinhedos: o Oceano Pacífico, região chamada de Costa; a planície central, conhecida como Entre Cordilheiras dos Andes. É o principal exportador de vinho entre os países do Novo Mundo. O Brasil é o quinto maior mercado para os chilenos, ficando atrás apenas da China, Estados Unidos, Japão e empatando com o Reino Unido. O país  também é uma máquina de marketing para escoar sua vasta produção. Se o vinho é o resultado de um lugar e seu clima, seu consumo é global e sem território definido. A pegada da vez dos marqueteiros de baco chilenos é a campanha “Amo Vinho”. Amo Chile”.

A Cabernet Sauvignon é uma variedade de colheita tardia, leva mais tempo para amadurecer nas parreiras, e nas últimas três décadas está em relacionamento sério com regiões de climas quentes, como o Chile ou o Norte da Califórnia. No Chile em especial, houve um casamento entre quantidade e qualidade.

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Os melhores Cabernets Sauvignon chilenos continuam, no entanto, dando de lavada nas premiações e guias, e junto à massa é campeão em volume de menções em aplicativos de avaliação de vinhos. Para ficar num exemplo próximo: o Guia Descorchados , uma referência de vinhos Chilenos, Argentinos e Uruguaios (o Brasil participa apenas com espumantes), coordenado por Patricio Tapia, elegeu o melhor tinto do ano, com 98 pontos, vejam só, o Cabernet Sauvignon Gandolini, Las Tres Marias Vineyard, não por acaso do Alto Maipo. Vale observar que outros vinhos com alta pontuação nesta mesma lista de tintos de todas variedades também trazem a Cabernet Sauvignon como protagonista, ou parte da receita: Almaviva 2014 (97 pontos), Terrunyo Bajo las Burras Cabernet Sauvignon 2014 (97 pontos); Don Maximiano Founder’s Reserve 2014 (97 pontos); Viñedo Chadwick Cabernet Sauvignon 2014 (97 pontos).

Um exemplo da crítica internacional. A safra de 2010 do Don Melchor foi eleita entre os 10 melhores tintos do planeta pela lista anual da revista especializada Wine Spectator.

Os primeiros tintos espetaculares que provei na minha vida, quando iniciava minha carreira de provar  vinhos foram, pela ordem: um Don Melchor e um Chadwick. Nada mal para uma iniciante. São vinhos bem caros, eu sei. O Don Melchor nem é 100% Cabernet Sauvignon. Mas o DNA é. A imagem do Cabernet Sauvignon chileno  alavanca a venda dos rótulos mais simples; vamos combinar às vezes simples demais. Aqui vai minha lista de vinhos inesquecíveis, apenas aqueles que tive a oportunidade de provar, e que têm a Cabernet Sauvignon como uva principal. 

Antiguas Reservas – Cousiño Macul (um clássico da sofisticação e puxando para um estilo mais velho mundo; gosto desse rótulo, que também é espetacular, mas o Finis Terrae. O Antiguas é mais autêntico.

Manso de Velasco – Miguel Torres (Miguel Torres foi o primeiro estrangeiro a apostar no potencial do Chile. Ele se firmou na região de Curicó, o que mostra que a uva tem potencial em outras partes do Chile. Um cabernet de classe e potência.

Viñedo Chadwick – Viñedo Chadwick é um Cabernet que fez história nos concursos às cegas promovidas por seu produtor, Eduardo Chadwick, com a ajuda do crítico inglês Steven Spurrier. Um vinho que enfrenta os grandes franceses de Bordeaux de igual para igual.  Elevou o nome do Chile como produtor de vinhos premium. A fruta vem em camadas no nariz e na boca. A madeira é bem integrada, envolve o vinho, mas não sufoca.  A intensidade cobra seu preço e a elegância também.

Don Maximiano – Errázuriz do mesmo proprietário do Chadwick, um assemblage, mas com a Cabernet Sauvignon presente, um vinho que pede contemplação e merece estar em qualquer lista de excelência .

Almaviva – Almaviva — um vinho dos franceses – Baron de Rothschild – e Chilenos – Concha y Toro -, é o clássico dos clássicos. Um Bordeaux em solo chileno, conduzido pelo enólogo Michel Frou em uma vinícola de arquitetura espetacular criada especialmente para elaborar um vinho em verso e prosa. Provar uma safra antiga, ou mesmo uma vertical de várias safras, é uma dessas experiências que a vida me proporcionou e didaticamente mostrou o valor do envelhecimento. Corte bordalês, a cabernet chega a quase 70% da mistura e comanda o vinho.

Don Melchor – Concha y Toro – o Don Melchor é uma mescla de Cabernet Sauvignon com a possibilidade de adição, principalmente a partir de 1999, de cabernet franc, que raramente ocupa mais do que 3 a 6% na proporção total do blend. Talvez o mais emblemático cabernet entre os consumidores de vinhos premium do Chile no Brasil. Alterna safras frescas com mais potentes, sempre orientado pelo craque Enrique Tirado.

Erasmo – é mais uma mescla bordalesa desta lista, mas que merece estar aqui para os amantes do vinho de guarda. Com menor espaço na mídia, merece ser conhecido. Muito bom!

Terrunyo – Concha y Toro – cabernet bem interessante, fica entre o Marquês De Casa Concha e o Don Melchor.  Sempre prazeroso e de grande intensidade.

 Lázuli  – Aquitania –Os vinhedos de Aquitânia resistem à pressão imobiliária de condomínios que o rodeiam. Sorte dos apreciadores de vinho e do clássico cabernet da região que apresenta notas mentoladas, frutas vermelhas e final prolongado. Tomara que eles continuem no local.

 Alpha M  2011 Viña Montes (80% cabernet sauvignon acompanhados dos outros cortes tradicionais bordaleses. Fruta negra, bastante corpo, um vinho que fala, mas o seu auge depois de 5 anos de guarda.. A linha Montes Alpha é campeã absoluta em restaurantes de carne de São Paulo e uma ótima opção para conhecer o perfil do Cabernet Sauvignon do Chile da região de Colchagua.

Carmen Gran Reserva Cabernet Sauvignon 2012 – Vina Carmen –boa tipicidade da varietal, carnudo e uma acidez que é resultado da diferença da temperatura entre o dia e a noite e que entrega frescor ao vinho.

Cono Sur Single Vineyard Block 18 El Recurso – A vinícola Cono Sur pertence ao grupo Concha y Toro. Disclaimer:  escrevi este artigo acompanhado de uma (ou mais) taça deste rótulo. Ganha pelos aromas intensos de especiarias e fruta negra, confirmados na boca que termina macio e com grande intensidade. Um achado pelo preço.

Novas Gran Reserva – Emiliana – (a vinícola orgânica Emiliana tem neste Cabernet uma fruta mais pura, mais fresco e um preço bem acessível. Para não esquecer que o caminho dos orgânicos é viável, e bom.

Um perfume de um bom Cabernet Sauvignon, é algo que não se esquece ao dividir sentimentos nas Vinícolas do Chile. Como prêmio, brindar o melhor que a vida merece.

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