Daniel e Nailton se armam para embate na sexta-feira

Postado em: 02-02-2016 às 00h00
Por: Redação
Os dois pré-candidatos a presidente do diretório estadual do PMDB colocam em lados opostos Iris Rezende e Maguito Vilela

Venceslau Pimentel

O PMDB começa a semana catando cacos, depois de sucessivos episódios de desavenças entre seus membros, por conta da eleição para escolha da nova direção do diretório estadual, na sexta-feira. Depois de tiro e quebra-quebra na sede do diretório, na semana passada, o ringue está armado para a disputa entre maguitistas e iristas.

Apontado como favorito, o deputado federal Daniel Vilela ganhou reforços nos últimos dias e parte para o embate com o apoio de deputados e vereadores, e tem como principal cabo eleitoral o seu pai, Maguito Vilela, prefeito de Aparecida de Goiânia, segundo maior colégio eleitoral do Estado.

Na outra ponta está o ex-prefeito de Bom Jardim, Nailton de Oliveira, ligado a Iris Rezende e que tem também o apoio explícito da ex-deputada federal Iris de Araújo. O ex-prefeito declinou do convite para presidir a legenda e trabalhar para eleger Oliveira, braço direito na campanha ao governo de Goiás, em 2014.

Por enquanto, Vilela tem vencido seguidos rounds, a começar pelo adiamento da eleição, que estava marcada para o dia 29 de outubro do ano passado. Um aliado seu – o ex-prefeito de Inhumas José Essado – entrou com uma liminar já Justiça, pedindo a suspensão do pleito, alegando supostas irregularidades no processo.

Pessoas próximas de Iris e Maguito dizem que os dois veem com naturalidade a disputa pelo comando do partido, e que o fato não suscitaria nenhum processo de rompimento entre os dois maiores líderes do partido no Estado. Eles estão juntos na legenda desde o início da década de 1980, quando Maguito deixou a Arena para ingressar no PMDB. Mas é certo que o prefeito de Aparecida de Goiânia já não esconde a insatisfação de hostilidades de alguns peemedebistas, pela parceria administrativa que tem com Marconi, e que tem resultado em obras para o município que administra. 

Cisão

Nos meses que antecederam as eleições estaduais de 2014, o PMDB se dividia entre apoiadores de Iris e os que se engajaram na campanha para fazer do empresário José Batista Júnior, o Júnior Friboi, candidato a governador. Antigos iristas debandaram para o lado do empresário da carne, esvaziando, em parte, o rebanho do ex-prefeito e ex-governador do Estado por dois mandatos.

De início, Iris recuou, abdicando momentaneamente de sua pré-candidatura a governador, mas deu o bote pouco tempo depois, quando Friboi já organizava a sua equipe para dirigir a campanha eleitoral. O empresário recuou em nome da unidade da legenda, mas não escondeu a sua contrariedade. Os friboizistas classificaram a ação de Iris como tratorada. Por conta disso, o grupo chegou a ensaiar a formação de uma chapa para enfrentar Iris na convenção, com Daniel Vilela ou com Sandro Mabel.

A ideia não prosperou. Iris se firmou como candidato, mas o grupo ligado ao empresário não abraçou a sua candidatura. Friboi, e parte de seu grupo, hipotecou apoio a Marconi Perillo (PSBD). Resultado: o governadoriável peemedebista amargou a sua terceira derrota para o tucano, e perdeu força política.

E tudo indica que ele vai se enfraquecer ainda mais com uma iminente derrota, na sexta-feira. Caso Daniel Vilela vença a disputa, a ascensão dele, como dirigente partidário estadual, representará não apenas a renovação. Será um passo importante para colocar-se como candidato a governador, em 2018, tendo como plano B Maguito Vilela, ex-inquilino do Palácio das Esmeraldas (1995-1998). 

Mas quem aposta na aposentadoria de Iris Rezende, pode estar enganado. Ele despista, mas não consegue disfarçar o projeto de novamente se candidatar a prefeito de Goiânia. Estímulo de pessoas ligadas a ele é o que não falta, também por conta do resultado de pesquisas de intenção de voto, onde aparece na liderança. 

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