quarta-feira, 13 de maio de 2026
Negócios

Empresa brasileira cria lixeira inteligente que remunera os usuários

Para incentivar descarte apropriado de resíduos, SmartBin paga a quem jogar lixo no lugar correto

Alice Orthpor Alice Orth em 7 de julho de 2021
Empresa brasileira cria lixeira inteligente que remunera os usuários
Para incentivar descarte apropriado de resíduos

Andar por uma rua limpa, uma praça sem lixo ou uma calçada sem plásticos jogados pelo caminho é um sonho compartilhado por muitos, mas mantido por poucos. A distribuição de lixeiras em locais públicos não é o suficiente para convencer toda a população a descartar seus resíduos corretamente. Mas e se você for pago cada vez que usar o sistema de coleta corretamente?

Essa foi a ideia que motivou a criação da SmartBin, na empresa brasileira SmartCity Go, criada pelo curitibano Rafael Caetano. Ativada por um aplicativo de smartphone, a caixa detecta a adição e coloca uma recompensa na conta do usuário. O modelo é semelhante ao já utilizado em diversas partes do mundo para utilização de bicicletas e patinetes.

O processo de reciclagem é feito sem necessidade de tocar em qualquer superfície – um detalhe que ganha importância durante a pandemia. O sistema foi desenvolvido em parceria com o Founder Institute, na cidade de Adelaide, na Austrália. O instituto é conhecido como a maior aceleradora de startups no mundo, com base no Vale do Silício.

Em vídeo, a empresa explica o funcionamento: o usuário deve entrar com seu cadastro no aplicativo e escanear ou ler o QR Code da SmartBin para desbloquear a tampa. Assim que for reconhecida, basta inserir o lixo e esperar a confirmação. O equipamento contém um leitor de código de barras internamente, e reconhece o objeto depositado. O pagamento tem sido testado em Au$ 0,10, o equivalente a R$ 0,39 na cotação atual.

“O rápido aumento da população global não fez a indústria do descarte diminuir; mais pessoas, mais consumo, e mais lixo para descartar”, diz a empresa em nota. “Enquanto nossos hábitos de consumo persistirem, cidades e negócios podem esperar a coleta de lixo ser um grande problema”.

De acordo com a startup, o projeto beneficia as cidades em mais de uma maneira: assim que atinge a capacidade máxima, a lixeira envia um sinal para coletores credenciados, que realiza o transporte do conteúdo até um depósito adequado.

Adelaide, capital da Austrália Meridional, tem cerca de 1,3 milhão de habitantes e é a quinta mais populosa do país. É lá que o protótipo, que já teve patente reconhecida no Brasil, está sendo testado. “A tecnologia de desbloquear a lixeira via aplicativo teve boa aceitação na cidade pelo fato de se usar o próprio celular do usuário. Desde o início da pandemia da Covid-19, os pontos de troca de recicláveis vinham perdendo atratividade por causa do receio das pessoas de compartilhar uma tela”, conta o engenheiro Rafael Caetano.

A negociação com a prefeitura teve início em 2020, mas todas as conversas que não abordavam a urgência do coronavírus foram adiadas, e somente agora a contratação do serviço foi oficializada. “Além da Austrália, já há interesse no sistema de representantes da Bélgica e de um parque tecnológico do Brasil”, diz Caetano.

Segundo ele, o sul da Austrália foi escolhido para elaborar o projeto por causa de seu histórico de desenvolver iniciativas de reembolso para reciclagem, que já dura 40 anos. A região consegue retornar cerca de 600 milhões de garrafas e latas de bebidas anualmente, demonstrando o potencial de mercado para a SmartBin.

Outra vantagem apontada por Caetano é que o dispositivo não exige um equipamento próprio, podendo ser adaptado e integrado a diversos tipos de recipientes usados para coleta de lixo ao redor do mundo. “Hoje, os pontos de coleta estão concentrados quase 100% nos bairros, o que deixa o centro da cidade sem pontos. Nesse sentido, a tecnologia irá expandir a coleta nos centros da cidade, local de alta demanda de escritórios, bares, restaurantes, moradia, e com alta densidade populacional. Criar um centro de coleta no centro é uma experiência inviável do ponto financeiro, mas com os coletores parceiros, esse desafio é superado”, menciona Caetano.

Fabro Steibel, conselheiro da MIT Sloan Review Brasil e da SmartCity Go, afirma que o sistema SmartBin é uma boa iniciativa para tornar mais eficiente a cadeia de coleta de reciclagens. “A coleta de recicláveis é um dever do Estado e é fundamental para redução das emissões de carbono. Mas o custo é todo da administração pública, com algum co-financiamento do setor privado. Essa solução inclui um ator novo no ecossistema, que é o trabalhador individual”, avalia.

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