quinta-feira, 15 de outubro de 2026
Inadimplência

Endividamento em Goiás cresce com juros altos e consumo elevado, apontam especialistas

Mais de 2,6 milhões de goianos estão inadimplentes, impulsionados por cartão de crédito, empréstimos e contas básicas

Letícia Leitepor em
Endividamento em Goiás cresce com juros altos e consumo elevado, apontam especialistas
O preço do aluguel em Goiânia disparou no último ano e tem pesado no bolso de quem busca um imóvel na capital. Segundo dados do Índice FipeZAP de Locação Residencial, a cidade registrou alta média de 10,4% nos últimos 12 meses, superando a inflação oficial do período e acompanhando a tendência de valorização observada em grandes centros urbanos. Foto: Freepik

O endividamento em Goiás já atinge mais de 2,6 milhões de pessoas, segundo dados da Serasa. O perfil dos inadimplentes revela que 51,8% são homens, enquanto 48,2% são mulheres, e a faixa etária mais afetada está entre 26 e 40 anos. De acordo com os dados segmentados, de julho de 2025, entre as principais pendências estão dívidas com bancos e cartões de crédito (27,8%), financeiras (19,5%), contas de água, luz e gás (15,6%) e serviços (15%).

Especialistas afirmam que o aumento da inadimplência está ligado a fatores econômicos e sociais. “Essa inadimplência é um indicador importante para análise da capacidade de endividamento das pessoas. Quando há crescimento econômico, há maior otimismo, e as famílias compram mais, geladeiras, eletrônicos, imóveis, veículos. Mas quando a inadimplência cresce, significa que a capacidade de pagamento está prejudicada”, explica o economista Luiz Carlos Ongaratto.

O cenário é agravado pelo aumento da taxa básica de juros (Selic). Com juros elevados, o custo das parcelas de empréstimos e financiamentos se torna mais pesado, reduzindo o poder de compra das famílias. “Em taxas de Selic em 15%, o crédito para pessoas físicas e empresas pode chegar a 20%, 25% ou até 30% ao ano, dependendo do score de crédito. Isso impacta todas as classes sociais, especialmente quem tem menor renda”, alerta Ongaratto.

O vice-presidente da Associação Comercial, Industrial e Serviços de Goiás (Acieg), Thiago Falbo, ressalta que o impacto é mais sentido nas áreas urbanas: “O comércio e os serviços em Goiânia sofrem mais com o impacto da inadimplência. A concentração populacional, maior volume de crédito concedido e consumo mais elevado tornam esses setores mais vulneráveis às oscilações do pagamento dos consumidores”. 

Ele aponta que o uso excessivo do cartão de crédito, empréstimos com juros altos, desorganização financeira e aumento do custo de vida, incluindo contas básicas como água, luz e alimentação, são os fatores que mais pressionam os consumidores e afetam também o faturamento de empresários.

Segundo Ongaratto, o agronegócio, tradicional motor da economia goiana, também não está imune. Apesar de o comércio e serviços receberem suporte do agronegócio, taxas de juros altas e queda nos preços de commodities geram dificuldades de crédito e aumentam recuperações judiciais. 

Diante desse cenário, feirões de renegociação de dívidas surgem como alternativa para recuperar a saúde financeira. Em ação especial marcada para terça-feira (9), consumidores de todo o Brasil poderão negociar débitos com descontos de até 99%, por meio da plataforma Serasa Limpa Nome. A iniciativa reúne mais de 1,6 mil empresas parceiras e disponibiliza mais de 10 milhões de dívidas para negociação, sendo que, em Goiás, 71,3 mil pessoas podem quitar mais de 319 mil débitos com 99% de desconto.

Segundo Nathalia Fernandes, especialista da Serasa, trata-se de “uma oportunidade única para quem deseja retomar o controle das finanças antes do final do ano, aproveitando condições especiais e, muitas vezes, determinantes para regularizar o orçamento”. A plataforma já bate recordes em 2025: entre janeiro e julho, mais de 672 mil acordos com 99% de desconto foram fechados em todo o País, 18 mil deles em Goiás, um aumento de quase 11% em relação ao mesmo período de 2024.

O economista Ongaratto reforça que renegociar dívidas é crucial para abater juros e reorganizar parcelas em valores que possam ser pagos. “Em grandes feirões, é possível reduzir de 90% a 99% dos juros e repactuar dívidas de forma que a parcela volte a ser administrável, ajudando famílias e pequenos empresários a voltarem ao ciclo de consumo e investimento”.

Especialistas ressaltam ainda a importância da educação financeira.  De acordo com Natalia, o alto número de inadimplentes está ligado a fatores econômicos, como desemprego, juros e inflação, e sociais, como a falta de planejamento financeiro. “Dessa forma, buscamos trazer conteúdos educacionais em diversos formatos através do Serasa Ensina, plataforma que busca trazer educação financeira de uma forma descomplicada com mais de 100 artigos publicados no blog mensalmente”, afirma.

Segundo a Acieg, apesar do momento de dificuldades, Goiás projeta crescimento. A expectativa é de aumento de 2,6% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual em 2026, oferecendo oportunidades para pequenos e médios empresários que se adaptarem à digitalização e à interiorização econômica. Mas especialistas reforçam: reorganizar as finanças e aproveitar feirões de negociação será decisivo para famílias e negócios recuperarem saúde financeira e retomarem o crescimento sustentável.

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