Construção cresce em Goiânia; falta de mão de obra qualificada trava setor
Mais de 70% das construtoras relataram dificuldade para contratar profissionais qualificados
O setor da construção civil vive um momento de forte expansão em Goiânia e na região metropolitana, impulsionando a geração de empregos e o lançamento de novos empreendimentos.
No entanto, esse crescimento acelerado tem esbarrado em um problema considerado básico, mas cada vez mais evidente: a escassez de trabalhadores qualificados para atuar nos canteiros de obras. O cenário revela um contraste claro entre a oferta de vagas e a dificuldade das empresas em preencher esses postos.
Nos últimos anos, a construção civil se consolidou como um dos principais motores da economia em Goiás. Em 2024, o setor havia registrado mais de 110 mil contratações, evidenciando o ritmo acelerado da atividade naquele período. Além disso, dados da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás indicaram que, em 2025, foram lançadas 11.028 unidades habitacionais em Goiânia e Aparecida de Goiânia.
Esses empreendimentos começaram ou avançaram ao longo daquele ano, somando-se às obras que já estavam em execução. Com isso, a demanda por trabalhadores se manteve elevada e indicava tendência de crescimento. Em nível nacional, o setor também apresentava trajetória positiva, com geração expressiva de empregos formais e participação relevante na economia.
Apesar da oferta de vagas, as empresas enfrentam dificuldades para contratar. A principal barreira está na qualificação da mão de obra. “Estamos com falta de mão de obra, pois o setor está muito aquecido”, afirma Hidebrair Henrique de Freitas, presidente do Sindicato da Indústria da Construção no Estado de Goiás.
Levantamentos do próprio setor indicam que mais de 70% das construtoras relatam dificuldade para encontrar profissionais capacitados. Funções como pedreiro, mestre de obras, carpinteiro, armador e eletricista estão entre as mais afetadas. Esse cenário é resultado de diferentes fatores, como a baixa procura de jovens pela área, a migração para outros setores e a falta de formação técnica adequada.
Além disso, a escassez de trabalhadores qualificados impacta diretamente o andamento das obras. Muitas empresas precisam rever prazos, reorganizar equipes e lidar com custos mais altos, já que a valorização da mão de obra disponível pressiona o orçamento dos empreendimentos.
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Setor aposta em qualificação para enfrentar o problema
Diante desse desafio, empresas e instituições têm buscado alternativas para reduzir o déficit de profissionais. A qualificação aparece como principal estratégia para equilibrar a oferta de vagas com a disponibilidade de trabalhadores preparados.
Durante encontros recentes do setor, iniciativas como o Instituto Elon Soares foram apresentadas como exemplo de ação voltada à formação profissional. O instituto oferece cursos gratuitos em áreas essenciais da construção civil, com foco na prática e na inserção no mercado de trabalho.“O nosso objetivo está alinhado aos desafios do setor e buscamos contribuir com a formação de profissionais”, afirma o presidente do Grupo Soares, Marcelo Camorim.
Além disso, instituições como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial e o Serviço Social da Indústria da Construção também ampliam a oferta de cursos e programas de capacitação.
“O setor vive um momento de dificuldade de qualificação e contratação, por isso as parcerias com Senai e outras instituições são tão importantes”, reforça Hidebrair Henrique de Freitas.
Mesmo com os desafios, o setor destaca que há oportunidades de crescimento profissional. A modernização dos canteiros, com o uso de novas tecnologias, também tem ampliado as possibilidades de carreira dentro da construção civil.
“Hoje, um canteiro de obras é repleto de tecnologia, o trabalhador tem ganhos interessantes e ainda oportunidade de construir carreira. Dá para chegar como servente e se tornar engenheiro”, afirma o presidente do Sinduscon-GO.
Dessa forma, o cenário em Goiânia revela um paradoxo: enquanto a construção civil cresce, gera empregos e movimenta a economia, a falta de qualificação ainda limita o pleno aproveitamento dessas oportunidades.
A solução, segundo especialistas e representantes do setor, passa pelo investimento contínuo em formação profissional, capaz de atender à demanda crescente e sustentar o ritmo de expansão das obras.