Inteligência Artificial avança nos principais setores da economia goiana e transforma mercado de trabalho
Tecnologia e inteligência artificial deve impulsionar produtividade e criar novas funções no mercado de trabalho goiano
A inteligência artificial (IA) tem saído da promessa e se tornado uma realidade no mercado de trabalho ao redor do mundo. Mesmo assim, ainda não é possível que pessoas, a depender do setor, sejam trocadas por soluções de IA. Porém, um levantamento realizado nos Estados Unidos indica que muitas empresas têm utilizado a inteligência artificial como argumento para justificar demissões, mesmo quando a tecnologia não é o principal fator por trás dos cortes.
Segundo a pesquisa da Resume.org, que ouviu mil gestores de contratação, 59% afirmaram que atribuir desligamentos à IA costuma ser mais bem aceito pelos funcionários do que alegar dificuldades financeiras.O estudo aponta que a inteligência artificial foi mencionada como a principal razão para demissões em 2026, aparecendo em 44% dos casos. Na sequência, aparecem os processos de reestruturação organizacional, citados por 42% dos entrevistados, e as restrições orçamentárias, apontadas por 39%.
No Brasil, as demissões por conta da IA não apresentaram um grande aumento, mas mesmo assim, especialistas apontam que algumas profissões correm perigo. O economista Luiz Carlos Ongaratto comenta que ainda não é possível avaliar em dados de emprego o impacto da IA. “Depende muito da estrutura da economia, pois os setores de serviços, cuidados, construção civil, indústria e agronegócio, por exemplo, geram empregos que, até o momento, não sofrem impacto direto com a IA”, ressalta.
Na visão do economista, o risco dos empregos no Brasil serem ameaçados ainda é baixo, porém veremos cada vez mais a utilização de IA para ganhos de produtividade e auxílio a atividades rotineiras. “Os empregos de baixa produtividade, geralmente na área administrativa e de TI, por exemplo, podem ser substituídos por fazerem tarefas de menor complexidade”, acrescenta.
Mesmo assim, para empresas que começam a incrementar a inteligência artificial em suas rotinas, ainda é necessário supervisão de pessoas.
O professor da Universidade Federal de Goiás (UFG) e especialista em administração, Ricardo Limongi, também esclarece que a IA avança dentro do mercado goiano e tende a se acelerar nos próximos três a cinco anos, principalmente no agronegócio, setor público e varejo.
“No agronegócio, espinha dorsal da economia goiana, a IA já opera em sistemas de agricultura de precisão, monitoramento de lavouras por drones e otimização logística de grãos. A tendência é que essas ferramentas se aprofundem em toda a cadeia produtiva, do campo ao processamento. No setor público, que é um grande empregador em Goiás, sistemas de IA para triagem de processos, atendimento ao cidadão e análise de dados estão sendo adotados progressivamente. No varejo e nos serviços, especialmente com a expansão do comércio digital, chatbots, sistemas de recomendação e automação de back-office já são realidade em empresas de médio porte”, explica.
Além disso, ainda que existam riscos para algumas profissões, surgem oportunidades em funções que nenhuma IA consegue ocupar com eficácia. “Profissionais capazes de trabalhar junto com a IA o que chamamos de inteligência híbrida. Isso inclui analistas que interpretam e auditam saídas de modelos, especialistas em governança e ética de IA, e profissionais de áreas como saúde, educação e direito que souberem integrar essas ferramentas ao seu trabalho sem abrir mão do julgamento humano”, complementa.
Na visão do professor, “a chave não é competir com a IA, mas desenvolver a capacidade de orquestrar o que ela faz”.
Para finalizar, Limongi fala sobre como essa transformação pode ser feita de forma inclusiva. De acordo com o professor, são necessários movimentos simultâneos, com requalificação profissional em escala (com foco em competências digitais básicas e avançadas), acesso à infraestrutura (conectividade e equipamentos no interior do estado) e regulação inteligente que proteja os trabalhadores durante a transição sem bloquear a inovação.
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