sexta-feira, 6 de novembro de 2026
ECONOMIA BRASILEIRA

Banco Central eleva para 2% projeção de crescimento

Relatório de Política Monetária aponta melhora nas perspectivas para a agropecuária e a indústria extrativa, mas mantém alerta para inflação elevada

Renata Ferrazpor em
Banco Central eleva para 2% projeção de crescimento
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O Banco Central (BC) elevou de 1,6% para 2% a projeção de crescimento da economia brasileira em 2026. A revisão foi divulgada nesta quinta-feira (25), no Relatório de Política Monetária, e leva em consideração o resultado positivo do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre, além da melhora das perspectivas para a agropecuária e a indústria extrativa.

Entre janeiro e março, o PIB avançou 1,1% em relação ao último trimestre de 2025, com crescimento da agropecuária, indústria e serviços. Segundo o BC, o desempenho também motivou a revisão das expectativas para a demanda interna, o consumo das famílias e os investimentos das empresas. A instituição ressalta, porém, que a manutenção dos juros em patamar elevado tende a limitar parte desse avanço.

O relatório também destaca que a inflação continua sendo motivo de preocupação. Em maio, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,58%, acumulando 4,72% em 12 meses, acima do teto da meta de 4,5%. A expectativa é de que a inflação permaneça acima do limite durante boa parte de 2026 e comece a recuar apenas em 2027. A probabilidade de a inflação ultrapassar o teto da meta neste ano aumentou de 30% para 79% em relação ao relatório anterior.

Na política monetária, o Banco Central lembra que a Selic permaneceu em 15% ao ano entre junho de 2025 e março deste ano, maior nível em quase duas décadas. Na última reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa para 14,25% ao ano, terceiro corte consecutivo. Apesar disso, a instituição afirma que os efeitos da guerra no Oriente Médio seguem pressionando os preços de combustíveis e alimentos e aumentam as incertezas sobre o crescimento econômico.

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O BC manteve em 9% a previsão de expansão do crédito em 2026, com redução da expectativa para o crédito livre e aumento para o crédito direcionado, impulsionado por programas voltados às micro e pequenas empresas. 

Nas contas externas, a projeção para o déficit em transações correntes caiu de US$ 58 bilhões para US$ 56 bilhões, favorecida pelo aumento das exportações, especialmente de soja, carne bovina e petróleo. Ainda assim, a autoridade monetária alerta que o cenário permanece sujeito aos efeitos do conflito no Oriente Médio.

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