segunda-feira, 10 de agosto de 2026
NEGOCIOS

Quem usar IA vai ter que pagar pelo conteúdo? Entenda novo projeto de lei

Proposta cria marco da economia digital e prevê remuneração pelo uso de conteúdos protegidos por sistemas de inteligência artificial

Otavio Augustopor Otavio Augusto em
Quem usar IA vai ter que pagar pelo conteúdo? Entenda novo projeto de lei
Ilustração/ IA

A economia digital pode ganhar novas regras no Brasil. O Projeto de Lei 5.960/2025, em análise na Câmara dos Deputados, cria o Marco de Fomento à Economia Digital e estabelece diretrizes para o desenvolvimento tecnológico, o uso de inteligência artificial (IA), o acesso a bases públicas de dados e o financiamento de iniciativas digitais.

A proposta também entra em uma discussão que ganhou força com o avanço da IA: o uso de conteúdos produzidos por terceiros. O texto prevê regras de transparência, identificação de respostas automatizadas, atribuição das fontes e remuneração de titulares de direitos autorais. O projeto foi apresentado pelo deputado Jadyel Alencar (Republicanos-PI) e ainda pode sofrer alterações durante a tramitação.

Inteligência artificial ganha espaço na legislação

A proposta considera a transformação digital um fator estratégico para a competitividade econômica e prevê instrumentos para estimular investimentos, pesquisa, inovação e formação profissional.

IA

O texto contempla startups, universidades e empresas de tecnologia e prevê parcerias entre instituições de ensino e o setor produtivo. A intenção é ampliar o desenvolvimento de soluções digitais no país e criar condições para que a inovação avance com maior segurança jurídica.

Entre os pontos de maior impacto está a criação de regras para sistemas de inteligência artificial, especialmente aqueles classificados como de alto risco.

Certificação para sistemas de IA

O projeto prevê a criação do Sistema Nacional de Certificação de Inteligência Artificial (Sincai), responsável pela emissão de selos de qualidade e confiabilidade para sistemas de IA.

Para aplicações consideradas de alto risco, a certificação seria obrigatória. A medida pretende oferecer uma referência para empresas e consumidores sobre a segurança das ferramentas utilizadas.O texto também incentiva a autorregulação do setor e autoriza a criação do Instituto Nacional de Segurança e Inovação em Inteligência Artificial, com atuação técnica e consultiva.

Conteúdo jornalístico entra na discussão

Outro ponto relevante envolve direitos autorais. O projeto estabelece regras para o uso comercial de conteúdos de terceiros, incluindo matérias jornalísticas, obras artísticas e literárias.

Divulgação

Sistemas de IA deverão observar mecanismos de atribuição das fontes e transparência sobre os conteúdos utilizados. A proposta também prevê remuneração equitativa e licenciamento coletivo para os titulares dos direitos.A discussão afeta diretamente setores criativos e de comunicação, que passaram a acompanhar como seus conteúdos são utilizados para alimentar ou gerar respostas por sistemas de inteligência artificial.

Fundo pode financiar startups e pesquisa

O projeto cria ainda o Fundo Nacional de Economia Digital, com previsão de recursos para pesquisa, desenvolvimento e inovação.Entre as iniciativas que poderão receber apoio estão programas em universidades, startups e ações de requalificação de trabalhadores afetados pela automação.

A proposta também autoriza a disponibilização de bases públicas de dados anonimizados para pesquisa, desenvolvimento e inovação, inclusive mediante cobrança de preço público.O objetivo é transformar dados e conhecimento em instrumentos para criação de novos produtos, serviços e tecnologias.

Projeto ainda será analisado

O PL 5.960/2025 será analisado pelas comissões de Desenvolvimento Econômico; Ciência, Tecnologia e Inovação; Finanças e Tributação; e Constituição e Justiça e de Cidadania.

A Comissão de Desenvolvimento Econômico já designou relator e aprovou requerimento para realização de audiência pública. O debate deverá reunir representantes do setor tecnológico, especialistas e instituições ligadas à inovação e aos direitos digitais.

Além dos incentivos, o projeto prevê sanções administrativas para o descumprimento das regras, como advertência, multa, suspensão e proibição de atividades.Ainda em discussão, a proposta coloca uma questão central para o ambiente de negócios: como acelerar o uso da inteligência artificial e a inovação sem comprometer direitos autorais, segurança, transparência e trabalhadores em um mercado cada vez mais digital.

 

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