terça-feira, 25 de agosto de 2026
Economia

Chefe do FMI diz que economia global resistiu ao choque da guerra no Irã

Guerra no Irã pressiona energia e inflação, mas economia global resiste, diz FMI

Otavio Augustopor Otavio Augusto em
Chefe do FMI diz que economia global resistiu ao choque da guerra no Irã

A diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, afirmou nesta terça-feira (25) que a economia mundial conseguiu enfrentar até agora os efeitos do choque provocado pela guerra no Irã. Segundo ela, o cenário internacional combina inflação, endividamento e conflitos comerciais, enquanto os investimentos em inteligência artificial sustentam parte da atividade econômica.

Durante conversa com jornalistas em Washington, Georgieva comparou a economia mundial a um barco atingido por uma tempestade. Ainda assim, afirmou que o desempenho tem sido melhor do que o esperado diante do choque provocado pelo fechamento do Estreito de Ormuz.

O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã provocou aumento nos preços da energia em diferentes mercados. Além disso, o bloqueio ou restrição da passagem pelo estreito elevou as preocupações sobre o fornecimento internacional de petróleo.

Em julho, o FMI reduziu pela segunda vez neste ano a previsão de crescimento da economia mundial. A entidade passou a projetar expansão de 3% para 2026.

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Estreito de Ormuz aumenta pressão sobre energia

De acordo com Georgieva, os efeitos da guerra não atingem todos os países da mesma maneira. A diretora explicou que o impacto depende da exposição de cada economia às importações de petróleo provenientes do Golfo e também das condições macroeconômicas de cada país.

Além disso, a pressão sobre os preços da energia pode continuar nos próximos meses. A chegada do inverno no hemisfério Norte tende a aumentar a demanda por energia. Por isso, o FMI acompanha a possibilidade de uma nova alta do petróleo.

 

 

Segundo Georgieva, um novo aumento das cotações pode dificultar o processo de redução da inflação. Nesse cenário, os bancos centrais podem manter políticas monetárias restritivas por mais tempo.

Consequentemente, juros elevados podem aumentar o custo do serviço da dívida e reduzir o ritmo da atividade econômica.

IA sustenta parte da atividade econômica

Ao mesmo tempo em que a guerra pressiona os preços da energia, os investimentos em inteligência artificial aparecem como um fator de sustentação da economia mundial.

Georgieva afirmou que já existem efeitos positivos dos investimentos em IA em países além dos Estados Unidos, que atualmente lideram o desenvolvimento da tecnologia.

O aumento dos investimentos no setor representa, segundo a diretora do FMI, um choque positivo de demanda. Esse movimento ocorre simultaneamente aos efeitos negativos provocados pela alta dos preços da energia.

Assim, a economia mundial enfrenta forças diferentes. De um lado, o conflito pressiona inflação, custos e atividade. De outro, os investimentos em novas tecnologias estimulam a demanda e podem contribuir para o crescimento.

Países em desenvolvimento enfrentam maior risco

Apesar dos efeitos positivos observados em diferentes economias, Georgieva também apontou riscos relacionados à expansão da inteligência artificial.

A diretora do FMI afirmou que ainda existem incógnitas importantes sobre os impactos da tecnologia. Além disso, segundo ela, os países em desenvolvimento correm um risco maior de ficar para trás na adoção da IA.

 

 

Nesse contexto, a capacidade de cada país acompanhar os investimentos e incorporar novas tecnologias pode influenciar o desempenho econômico nos próximos anos.

Por fim, Georgieva alertou que o choque provocado pela energia ainda não terminou. Uma nova alta do petróleo poderá aumentar novamente a inflação e dificultar a redução dos juros.

 

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