Mendonça inclui Flávio Bolsonaro em investigação sobre financiamento de “Dark Horse”
Inquérito apura destino de R$ 61 milhões repassados por Daniel Vorcaro para produção de filme sobre Jair Bolsonaro
A movimentação de cerca de R$ 61 milhões para os Estados Unidos passou a ocupar um lugar central na investigação que apura o financiamento de Dark Horse, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O dinheiro teria sido destinado ao fundo Havengate, utilizado na produção da obra, e aparece no acordo de delação premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior, empresário apontado como operador financeiro de Daniel Vorcaro. A colaboração foi homologada nesta semana pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo o relato apresentado por Freixo, pouco mais de US$ 12 milhões foram enviados ao fundo sediado no Texas por meio da empresa Entre Investimentos e Participações. O delator afirmou que as transferências ocorreram por determinação de Vorcaro, depois de pedidos e cobranças relacionados ao financiamento do filme.
É nesse contexto que aparece Flávio Bolsonaro. O senador e candidato à Presidência é alvo de um inquérito autorizado por Mendonça em julho para apurar sua atuação nas operações relacionadas à produção. A investigação considera, entre outras hipóteses, possíveis crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. O procedimento, porém, continua sob sigilo.
Flávio já reconheceu que procurou Vorcaro para buscar recursos para Dark Horse. A versão apresentada por ele é de que se tratava de patrocínio privado para uma produção privada, sem irregularidades ou uso de dinheiro público.
A apuração também tenta esclarecer o destino final dos recursos. Uma das suspeitas levantadas pela Polícia Federal é a possibilidade de parte do dinheiro ter sido utilizada para despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Essa hipótese ainda é objeto de investigação e não representa uma conclusão sobre eventual desvio.
O fundo Havengate, que recebeu os recursos, fica no Texas e é administrado por Paulo Calixto, advogado apontado como próximo de Eduardo Bolsonaro. O ex-deputado participou da produção de Dark Horse como produtor-executivo e tinha atribuições relacionadas à administração financeira do projeto, segundo documentos citados nas investigações.
Os valores também aparecem em diferentes momentos da apuração. Inicialmente, o acordo para financiar o filme previa até US$ 24 milhões. Desse montante, os registros citados nas investigações apontam pagamentos superiores a US$ 12 milhões, embora os valores e a forma como cada parcela foi movimentada ainda estejam sendo examinados.
A homologação da delação de Freixo acrescentou informações sobre a passagem do dinheiro pela Entre Investimentos antes de chegar ao fundo nos Estados Unidos. O empresário, conhecido como “Mineiro”, também prestou informações sobre outras operações financeiras envolvendo estruturas ligadas ao Banco Master. Parte desses relatos permanece protegida por sigilo.
O caso ganhou novo destaque depois que Mendonça retirou o sigilo de 15 procedimentos relacionados ao Banco Master. A medida tornou públicos documentos de diferentes frentes da investigação, mas não incluiu o procedimento referente ao financiamento de Dark Horse. Segundo informações divulgadas nesta sexta-feira (11), essa parte permanece protegida para preservar diligências em andamento.
Além da investigação conduzida por Mendonça, existe outra frente no STF relacionada ao filme. O ministro Flávio Dino autorizou uma operação para apurar suspeitas envolvendo recursos de emendas parlamentares e determinou buscas contra diferentes pessoas ligadas ao caso. Essa apuração é distinta daquela que examina os repasses atribuídos a Vorcaro e a participação de Flávio Bolsonaro no financiamento da produção.
A investigação sobre Dark Horse ainda não estabeleceu que os valores tenham sido utilizados para finalidade diferente da produção do filme. O que está sob análise da PF é justamente a origem, o caminho percorrido e a destinação dos recursos, além da eventual existência de crimes nas operações financeiras. Flávio Bolsonaro nega qualquer irregularidade.
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