Terça-feira, 07 de fevereiro de 2023

bookstart crowfunding para livros

Empresa brasileira propõe abordagem diferente para o mercado editorial de novos autores e pretende editar, já neste ano, pelo menos 240 títulos, segundo um dos fundadores da empresa, Bernardo Obadia

Postado em: 17-03-2016 às 06h00
Por: Sheyla Sousa
Empresa brasileira propõe abordagem diferente para o mercado editorial de novos autores e pretende editar, já neste ano, pelo menos 240 títulos, segundo um dos fundadores da empresa, Bernardo Obadia

José Abrão

Ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro: a missão de todos os homens. Embora as duas primeiras sejam relativamente fáceis de conquistar, a terceira está se tornando cada vez mais distante. Mesmo em um mer­cado editorial em crescimento como o brasi­leiro, as editoras simplesmente não conseguem atender a demanda de novos autores. São milhares de originais. Além disso, há toda uma questão mercadológica que deve ser levada em consideração. Afinal, vale mais a pena publicar um autor estrangeiro que já é consagrado ou apostar em um ilustre desconhecido brasileiro, que pode sim­plesmente encalhar nas prateleiras? 

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Pensando nisso, surgiu a Bookstart, uma nova proposta para o mercado editorial e que fica en­tre a autopublicação, que é cara e de alcance limitado, e a publicação nas grandes editoras, que é muito difícil de acontecer e também de difícil êxito. A ideia deles é a seguinte: crowdfunding. A empresa e o autor montam uma campanha, avaliam valores e prêmios e, no fim, todos os livros acabam vendidos dentro da meta. Não há um número mínimo e o autor pode encomendar mais livros para ele vender em um esquema on demand de impressão. Isso resolve um dos maiores problemas de quem publica por conta própria: muitas vezes as gráficas cobram pela impressão de um número mínimo de volumes.

“Tudo começou quando percebemos uma gran­­de lacuna no mercado editorial”, conta Bernardo Obadia, um dos fundadores da Bookstar, “existe coisa de seis milhões de manuscritos registrados na Biblioteca Nacional. As editoras es­tão sobrecarregadas, não têm como fazer uma curadoria de todo o material que recebem. Nossa solução é terceirizar a escolha para o público e entregar Literatura para o maior número possível de pessoas”. Assim como em outros sites de crowfunding, a pessoa cria um projeto na página do Bookstart que então é avaliado e só depois de aprovado se move para a fase de arrecadação.

A principal diferença da empresa é que, além de ser uma plataforma de financiamento coletivo, ela oferece todos os serviços de uma editora: revisão, diagramação, capa, tudo. “Temos dois modelos. Podemos atuar apenas como intermediários do financiamento ou como editora. Cobramos uma comissão sobre o serviço prestado. Nossa diferença é oferecer esse serviço editorial de qualidade”, disse ele. A empresa começou a funcionar no fim de 2014 e conseguiu bons números no ano passado, lançando 20 novos livros e vendendo 12 mil exemplares. 

Isso porque o Bookstart rapidamente se espalhou de um autor para o outro. “A gente cresce orgânico. De vez em quando a gente aparece na imprensa, mas o boca a boca é coisa de 80% da origem do nosso modelo”, disse. Embora seja um modelo mais compacto, ele não impede que o autor tente a sorte em uma grande livraria. “O legal do financiamento coletivo é que quando o projeto acaba e a meta é atingida, todos os livros estão vendidos. Se o autor vender mais do que o planejado, ele até ganha lucro. Ele pode escolher se quer comprar um excedente de livros e tentar levar aquilo para uma livraria. Mas nós vendemos os ebooks nos sites e dependendo, se for o caso, até nós mesmos tentamos levar para as livrarias. Alguns dos nossos livros chegaram lá”.

Obadia vê o Bookstart como uma forma de chamar a atenção: “Com uma campanha bem sucedida, o próprio crowdfunding serve como marketing para leitores, livrarias e editoras. Essa é uma forma muito boa de publicar e não ficar com livro parado. Às vezes a pessoa até consegue publicar por uma grande editora, mas o livro fica encalhado, sobra muito material”. Ele contou que muitas editorias pequenas, locais, inclusive estão passando a usar a plataforma. “Um dos nossos clientes é uma editora pequena que lançava um livro por ano. Em 2015 ela lançou sete”. Além disso, a empresa repassa um manual para os no­vos autores promoverem seus livros: “Ensinamos  para quem mandar e-mail, o que postar nas redes sociais, en fim, ensinamos o autor a pescar. Muita gente acha que é só publicar o seu livro que ele vai vender, mas não funciona assim”.

Para este ano, Obadia espera publicar 240 títulos e participar de feiras e outros eventos lite­rá­rios. O autor do livro de contos Histórias (Qua­se) Verídicas, Ricardo Mituti relata que ele : desc obriu o trabalho deles pela internet. “Estava em busca de uma editora e não encontrava. Fui atrás de autopublicação e encontrei o Bookstart”. Os prêmios e pacotes foram combinados em conjunto: camisetas, marcadores de página, ebook e até outros mais interessantes. “Fizemos uma videoconferência em que a pessoa me contava uma história e eu a refazia em forma de conto”. Mituti conseguiu lucrar com a empreitada: com meta de R$ 4.400, ele fez mais de R$ 6 mil. “Quando a campanha finaliza, antes de repassar o valor eles perguntam se você quer usar o lucro obtido para imprimir mais exemplares. Durante a campanha o autor pode botar mais dinheiro”. Satisfeito, ele recomenda: “Acredito que é o caminho do autor independente já que as grandes editoras não investem em novos autores por questões estruturais”. 

A jornalista aposentada Ruth Rendeiro fez um caminho parecido, mas diferente. Ela já havia publicado o seu livro anteriormente sozinha e queria uma reimpressão. “Eu vi em um programa de TV e fui atrás do Bookstart. Fui buscar conhecer sobre financiamento coletivo, não sabia nada disso”, lembra. Seu livro Até que o Câncer nos Separe, é um relato real sobre sua experiência com o câncer e sobre seu marido, que sofreu de leucemia e faleceu. “Foi um livro que escrevi pensando nos meus filhos e não queria que as editoras interferissem em nada, por isso banquei tudo. Aí quis uma reimpressão e fui atrás do financiamento coletivo. Foi rápido, prático e econômico. Acho pejorativo quando falam que é uma vaquinha”.

Assim como Mituti, Rendeiro superou a meta de R$ 6 mil que foi estabelecida e ficou muito feliz com o resultado, recomendando-o para novos autores. “A maior dificuldade foi aprender como funciona. As pessoas parecem ter preguiça de pensar como funciona, perguntam quanto custa, onde vende o livro (risos)”. Para experimentar essa nova forma de publicar, basta acessar bookstart.com.br e se informar sobre como elaborar e aprovar o seu projeto. 

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