O próximo passo de Leydi

Leidy Escobar: “Aos 50, sou completamente realizada como bailarina, mas ainda tenho projetos como maître”

Postado em: 19-10-2016 às 06h00
Por: Sheyla Sousa
Leidy Escobar: “Aos 50, sou completamente realizada como bailarina, mas ainda tenho projetos como maître”

Nascida em Cuba, natural de Camagüey, Leidy Emelia Escobar, ou apenas Leidy Escobar já está em Goiânia há mais de 20 anos. Professora de inúmeras gerações goianas, é dona de um currículo invejável que conta com nada menos que Odette e Odile, de O Lago dos Cisnes, e a romântica Giselle! Nesta quarta-feira (19), estreia espetáculo novinho da CenÁpice Cia. de Dança, com coreografia do jovem Marcus Nascimento, Ao Alcance das Mãos, e nos possibilita uma oportunidade de vê-la nos palcos, dançando as reflexões da vida cotidiana e o distanciamento das pessoas. 
Hoje diretora da Cia. de Ballet Clássico Leidy Escobar e professora titular desde a fundação do curso de Formação Técnica Profissional Itego, do Centro de Educação Profissional em Artes Basileu França, a cubana já ministrou aulas para a Quasar Cia. de Dança (1997) e para a Pontifícia Universidade Católica de Goiás (1998). No último mês de setembro, ministrou aulas gratuitas pelo Das Los Grupo de Dança, por meio do Fundo de Arte e Cultura da Secretaria de Estado de Educação, Cultura e Esporte (Seduce), pelo qual o Das Los foi beneficiado com a direção de Tassiana Stacciarini. 
Influenciada pela bailarina cubana Alicia Alonso, Leydi Escobar foi a primeira solista Ballet de Camaguey, (1989-1991), dirigida pelo maestro Fernando Alonso. A maître também foi primeira bailarina da Companhia do Centro Pro Danza, (1992-1999) dirigida pela grand maître Laura Alonso e primeira bailarina convidada do Ballet Nacional de Cuba. 
Ela começou a sua carreira profissional na segunda Companhia de Balé de Cuba, Bale de Camagüey, com seu diretor geral e artístico mestre Fernando Alonso. Alcançou a categoria de primeira solista, em 1989, sendo consagrada, em 1990, quando participou de turnês internacionais em países como Grécia, Chipre e Brasil. Em 1991, representou seu país no concurso internacional de balé clássico em Helsinki (Finlândia), sob orientação do maître Ivan Alonso, onde foi laureada. 
Em entrevista ao Essência, falou um pouco da sua vida profissional, dos obstáculos já enfrentados com a dança e recordou o  início da carreira.  

ENTREVISTA: Leydi Escobar

Leidy, você nasceu em Cuba e por lá você foi a primeira solista Ballet de Camagüey e primeira bailarina convidada do Ballet Nacional de Cuba. Como foi sua carreira até conseguir este espaço? Por que o balé?
Eu fui interna por oito anos, na Escola Profissional de Camagüey, onde consegui todos os ingredientes necessários para a formação do espírito de sacrifício, dedicação e doação para com a dança. Também tive muita sorte por ter por perto o maestro Fernando Alonso, que era diretor da Companhia do Ballet de Camagüey. No último ano, ele apadrinhou minha turma para terminar de lapidar todos aqueles jovens. No fim do espetáculo de formatura, fui convidada por ele para fazer parte da companhia! E pensar que o balé começou apenas com influência de uma prima que achava minhas pernas muito compridas (risos). Ela também queria ser bailarina, mas se formou Engenheira Industrial! 

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Entre os balés que já dançou, qual mais te marcou?
O que mais me marcou foi O Lago dos Cisnes. A bailarina que consegue dançar esse rol não precisa de mais nada. É uma prova como atriz, porque temos dois personagens bem diferentes: Odette e Odile, com muita técnica e resistência. Giselle é um balé de estilo romântico, também muito difícil: eu dancei o rol de Giselle e também Mirta, A Rainha das Willis que são completamente diferentes. Já Medea, que também marcou, era um neoclássico que Alberto Alonso coreografou para a companhia, e eu era a protagonista. Com certeza, foram grandes experiências. 

Como você veio para Goiânia?
Eu vim a convite da minha querida maestra Laura Alonso, filha de Fernando Alonso, ministrar um curso de férias do Cuballet, e tive muita sorte. Na sequência, fui contratada por Gisela Vaz para ministrar aulas em sua escola por dois anos. 

E, na época, quais foram os maiores desafios enfrentados?
Na época, há 20 anos, tudo estava bem devagar. Não tínhamos a internet como hoje, e eu estava com todos os balés em minha cabeça; era muita informação. Para ministrar as aulas tive de fazer um cronograma bem mais simples, porque não tínhamos aulas todos os dias: eram apenas duas vezes por semana. Além disso, as alunas não tinham as condições físicas que pede a técnica acadêmica. Todo este tempo se passou,  e várias gerações de bailarinos, de uma forma ou de outra, tiveram contato comigo. Isso me deixa muito feliz! 

Você acha que seguir carreira como bailarina (o) é opção no Brasil? Como é a realidade cubana?
A carreira de bailarina (o) no Brasil é uma opção sim, mas precisamos que haja apoio tanto privado quanto do governo. Em Cuba, o apoio do governo é muito forte! 

Recentemente, você trabalhou com o Das Los Grupo de Dança promovendo uma oficina de Dança Clássica. Como foi receber o convite e viver a experiência?
Eu me senti muito feliz em trabalhar com o Das Los e poder passar minha experiência para estes jovens que receberam com muita ‘sede’ de aprendizado. 

Nesta quarta e quinta (19 e 20) você vai estrear um espetáculo coreografado por Marcus Nascimento  e vai dançar contemporâneo. O que o público pode esperar?
Nossa parceria, entre mim e Marcus,  vem se fortalecendo e, para esta estreia teremos uma visão bem pessoal do coreógrafo sobre o cotidiano das relações entre as pessoas. É assistir para experimentar de perto. 

Aos 50 anos, ainda existe algo que deseja realizar profissionalmente?
Como bailarina, eu me sinto completamente realizada, mas, como maître de balé, creio ainda ter muito a colaborar com a nova geração e para com a dança e um âmbito geral.

SERVIÇO:
‘Ao Alcance das Mãos’ 
Quando: 19 e 20/10 às 20h
Onde: Teatro Sesc Centro 
Ingressos: A partir de $ 5

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