Mercado cervejeiro cresce, mas ainda não recupera ritmo pré-pandemia
Brasil alcança recorde de 1.954 cervejarias e amplia exportações, mas expansão do setor desacelerou em relação aos anos anteriores à crise sanitária
O mercado cervejeiro brasileiro continua avançando, mas os números mais recentes mostram que a recuperação do dinamismo registrado antes da pandemia ainda não foi totalmente alcançada. Dados do Anuário da Cerveja 2026, divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), revelam que o país atingiu um recorde histórico de 1.954 cervejarias registradas em 2025, porém o crescimento foi de apenas 0,3% em relação ao ano anterior – percentual muito inferior aos índices observados na década passada, quando o setor chegou a registrar expansões anuais entre 20% e 30%.
Mesmo diante da desaceleração, o Brasil mantém posição estratégica no cenário global. O país segue como o terceiro maior produtor mundial de cerveja, atrás apenas da China e dos Estados Unidos, com uma produção anual superior a 15,7 bilhões de litros. O setor movimenta bilhões de reais, gera milhares de empregos e continua apostando em inovação para ampliar sua presença tanto no mercado interno quanto no exterior.

Expansão desacelera após boom da década passada
O crescimento do número de cervejarias foi um dos fenômenos mais marcantes do mercado brasileiro entre 2010 e 2019. O avanço das cervejas artesanais, a diversificação de estilos e o aumento do interesse dos consumidores por produtos premium impulsionaram a abertura de fábricas em todas as regiões do país.
A pandemia, entretanto, alterou significativamente a dinâmica do setor. O fechamento temporário de bares, restaurantes e eventos reduziu o consumo fora do lar e pressionou pequenas e médias cervejarias. Embora o mercado tenha retomado o crescimento nos últimos anos, o ritmo permanece mais moderado.
Atualmente, as 1.954 cervejarias estão distribuídas por mais de 700 municípios brasileiros, demonstrando uma interiorização cada vez maior da atividade. O número representa um marco histórico para o setor, mas também evidencia uma fase de consolidação, na qual a expansão ocorre de forma mais cautelosa e sustentável.
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Exportações batem recorde e impulsionam resultados
Se o mercado interno cresce de forma moderada, o comércio exterior se tornou um dos principais motores do setor. Em 2025, a balança comercial da cerveja brasileira registrou superávit recorde de US$ 195 milhões, alta de 7,1% em comparação ao ano anterior.
As exportações alcançaram 315,5 milhões de litros, gerando receita de US$ 218,36 milhões. O crescimento não ocorreu apenas em volume, mas também em valor agregado. O preço médio da cerveja exportada subiu 13%, passando de US$ 0,61 para US$ 0,69 por litro.
O Brasil exportou cerveja para 77 países. O Paraguai permaneceu como principal destino, absorvendo mais de 196 milhões de litros, o equivalente a 62,3% de toda a cerveja brasileira enviada ao exterior. Na sequência aparecem Bolívia, Uruguai e Argentina. Juntos, os países do Mercosul concentraram mais de 95% das exportações nacionais.
Especialistas do setor avaliam que a estrutura industrial já instalada no país e a crescente qualidade dos produtos podem transformar o Brasil em um exportador ainda mais relevante nos próximos anos.

Novos nichos ganham espaço entre os consumidores
Outra tendência que chama atenção é a diversificação do portfólio das cervejarias. O crescimento das cervejas sem glúten, por exemplo, ultrapassou 400% nos últimos anos e já representa mais de 2% da produção nacional.
Além disso, categorias como cervejas sem álcool, bebidas com menor teor calórico e rótulos que utilizam ingredientes regionais têm ampliado sua participação no mercado. O movimento acompanha mudanças no comportamento do consumidor, que busca produtos associados à saudabilidade, inovação e experiências diferenciadas.
As chamadas “brasilidades” também vêm ganhando relevância. Ingredientes como frutas tropicais, castanhas, mel e especiarias regionais passaram a ser utilizados como diferencial competitivo, especialmente por cervejarias artesanais que enxergam oportunidades no mercado premium.
O Anuário da Cerveja também apontou forte crescimento das importações. O volume importado saltou de 7,5 milhões para 26,3 milhões de litros em apenas um ano, avanço superior a 250%.
Os Estados Unidos assumiram a liderança entre os fornecedores internacionais, respondendo por mais de 74% do volume importado pelo Brasil. Em termos de valor financeiro, entretanto, a Alemanha continua ocupando posição de destaque.
Apesar desse crescimento, as importações ainda representam parcela pequena diante da produção nacional, reforçando a força da indústria cervejeira brasileira.