segunda-feira, 6 de julho de 2026
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Pix não derruba cartões e impulsiona nova era dos pagamentos digitais

Expansão simultânea das duas modalidades revela amadurecimento do sistema financeiro e amplia opções para consumidores e empresas

Otavio Augustopor Otavio Augusto em 9 de junho de 2026
Pix não derruba cartões e impulsiona nova era dos pagamentos digitais
Foto: Divulgação

O sistema de pagamentos brasileiro vive uma transformação que poucos especialistas previam quando o Pix foi lançado pelo Banco Central em novembro de 2020. Ao contrário das expectativas de que os pagamentos instantâneos substituiriam os cartões, os números mais recentes apontam para um cenário diferente: as duas modalidades estão crescendo juntas e ampliando sua presença na economia nacional.

Dados divulgados pela Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) mostram que os cartões de crédito, débito e pré-pagos responderam por 35,1% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no primeiro trimestre de 2026, alta de 0,2 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado demonstra que, mesmo diante da popularização do Pix, os cartões continuam ampliando sua participação nas transações realizadas pelos brasileiros.

Pix
Foto: Divulgação

Cartões seguem fortes mesmo após revolução do Pix

Quando o Pix entrou em operação, uma das principais previsões do mercado era que ele reduziria significativamente a utilização dos cartões, especialmente nas compras de menor valor e nas transferências entre pessoas físicas.

Entretanto, os dados mostram o contrário. Em 2020, ano de lançamento do sistema instantâneo, o Brasil possuía cerca de 324 milhões de cartões ativos. Ao final de 2025, esse número havia saltado para 477 milhões, crescimento de 47,5%.

O avanço demonstra que o consumidor brasileiro não abandonou os cartões. Em vez disso, passou a utilizar cada modalidade para situações diferentes. O Pix ganhou espaço em transferências, pagamentos instantâneos e operações cotidianas, enquanto os cartões mantiveram força em compras parceladas, programas de fidelidade, benefícios e acesso ao crédito.

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Crédito continua impulsionando o consumo das famílias

O cartão de crédito permanece como um dos principais motores do consumo no país. No primeiro trimestre deste ano, a modalidade respondeu sozinha por 24,9% do PIB brasileiro e por 39,4% do consumo das famílias, reforçando sua importância para a atividade econômica.

Os números ganham ainda mais relevância quando comparados ao desempenho geral da economia. Segundo dados do IBGE, o PIB brasileiro alcançou R$ 3,3 trilhões no primeiro trimestre de 2026, com crescimento de 1,1% em relação ao trimestre anterior.

Nesse contexto, os cartões continuam desempenhando papel central no financiamento do consumo, especialmente em um país onde o parcelamento sem juros permanece como uma característica cultural do varejo.

No primeiro trimestre de 2026, as transações com cartões movimentaram aproximadamente R$ 1,1 trilhão, avanço de 8,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Somente o crédito respondeu por R$ 810,2 bilhões.

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Pix amplia inclusão financeira e leva novos clientes aos bancos

Uma das explicações para o crescimento simultâneo das modalidades está no papel desempenhado pelo Pix na inclusão financeira.

Ao simplificar transferências e pagamentos, o sistema atraiu milhões de brasileiros que possuíam pouca ou nenhuma relação com instituições financeiras. Muitos desses usuários abriram contas digitais para utilizar o Pix e, posteriormente, passaram a contratar outros produtos, como cartões, financiamentos e linhas de crédito.

O resultado foi uma expansão do mercado como um todo, e não apenas a substituição de um produto por outro.

Especialistas do setor avaliam que o Pix se consolidou como porta de entrada para o sistema financeiro moderno. A partir dessa integração, consumidores passaram a utilizar diferentes ferramentas conforme suas necessidades, fortalecendo todo o ecossistema de pagamentos digitais.

Pagamento por aproximação acelera transformação do setor

Enquanto o Pix ganha espaço, os cartões também evoluem tecnologicamente.

Uma das principais tendências é o crescimento dos pagamentos por aproximação. Atualmente, 74,8% das transações presenciais realizadas com cartões já utilizam a tecnologia contactless, eliminando a necessidade de inserir o cartão na maquininha.

Os consumidores brasileiros estão adotando uma lógica de complementaridade. O Pix é utilizado pela velocidade e praticidade. Os cartões continuam sendo a principal ferramenta para parcelamentos, crédito, programas de recompensa e compras online.

Essa convivência tem impulsionado a digitalização da economia e ampliado o acesso aos serviços financeiros. O resultado é um mercado mais competitivo, inovador e conectado às necessidades dos consumidores.

 

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